[Edição 5] “Mira Técnica”: Luz ao Fundo do Túnel

Por Paulo Andrade


Luz ao Fundo do Túnel

Em Queluz de Baixo os dias estão cada vez menos risonhos, as audiências das telenovelas – o pilar da estação – atingem valores alarmantes e a liderança está presa por um fio. Os próximos tempos serão decisivos para perceber se esta crise, cujos primeiros sinais surgiram no verão de 2008, veio para ficar ou é apenas uma nuvem negra de passagem.

No curto prazo há pouco a fazer uma vez que o calendário está definido e praticamente cumprido faltando apenas estrear uma nova telenovela na Primavera, e atendendo à performance da mais recente aposta da estação – Destinos Cruzados – as expectativas não são as melhores. Somente depois do verão poderão ser aplicadas as medidas que se impõem para mudar o actual estado de coisas. É sobre este horizonte temporal que a presente crónica se irá debruçar à semelhança do que foi feito na semana passada para a SIC.

Em seguida serão apresentadas um conjunto de sugestões para cada um dos períodos do dia.

BREAKFAST
Eu não sou grande fã da emissão simultânea em televisão. Por isso, sugiro que esta também tenha os dias contados na TVI.
Embora o “Diário da Manhã” tenha resultados satisfatórios poderia ser substituído por conteúdos provenientes de outros horários igualmente eficazes e a custo zero, ao mesmo tempo que seria assegurado um conteúdo exclusivo ao TVI 24 importante para o seu crescimento e afirmação.

DAYTIME
O programa de Fátima Lopes – A Tarde É Sua – é o elo mais fraco do daytime. Este poderia ser substituído pela reposição da programação do horário nobre. Os recursos dispendidos com este programa poderiam ser alocados ao latenight.

LATENIGHT
O latenight como lead-out do horário nobre merece maior atenção por parte dos programadores televisivos. Este pode contribuir significativamente para arrecadar mais receitas publicitárias, melhorar a performance diária e ajudar a poupar milhões com a ficção nacional.
Este último ponto é extremamente relevante pois remete-nos para um dos maiores erros da TVI: a terceira telenovela da noite. Não é economicamente viável, comprometendo a restante programação da estação e sendo uma das causas da situação actual.

PRIMETIME
Com um latenight estável e forte o horário nobre pode ser preenchido com apenas duas telenovelas nos dias úteis. No fim-de-semana a ficção cederia o seu lugar ao entretenimento com um programa fixo aos sábados e programas por temporadas ao domingo.
O número de telenovelas em horário nobre poderia ser reduzido com a ajuda dos diários do reality-show de Outono. Deste modo, no primeiro horário (21h30-22h45) seria exibida apenas uma telenovela por ano de Janeiro a Setembro, enquanto no segundo horário (22h45-00h00) seriam exibidas duas telenovelas de Abril a Setembro e de Outubro a Março.
Uma telenovela das 21h30 teria em média 200 episódios de 60 minutos, o equivalente a cerca de 265 episódios de 45 minutos, enquanto uma telenovela das 22h45 teria em média 135 episódios, o equivalente a 180 episódios de 45 minutos.
É importante reduzir a duração das telenovelas para que a qualidade das histórias seja preservada reconquistando os espectadores. Caso a TVI não seja capaz de fazer esta mudança a liderança poderá fugir de vez.

Não esquecer que a TVI não tem a Globo para ajudar a preencher alguns horários como a SIC. Uma telenovela nacional custa pelo menos o dobro de uma telenovela brasileira da Globo, gerando um encargo financeiro difícil de comportar em tempos de crise.

PRIME ACCESS
Por oposição ao horário nobre, este período seria preenchido por telenovelas com histórias abertas, em exibição contínua, com poucos actores e cenários, permitindo custos mais reduzidos.

Para o horário das 18 horas sugiro uma telenovela de costumes, que retrate a vida familiar e a vida em comunidade. O horário das 19 horas deve voltar a ser ocupado por uma telenovela juvenil. É uma opção que não perdeu validade, apenas sofreu dos mesmos problemas que a restante ficção da estação. É preciso que as histórias contadas tenham qualidade e que sejam capazes de cativar todos os públicos. Os responsáveis da estação subestimaram os espectadores julgando que o fogo-de-vista poderia colmatar a falta de conteúdos e qualidade do produto apresentado.

MADRUGADAS
Este período pode ser preenchido pela reposição das telenovelas do prime access e pelo bloco de televendas.

PROGRAMAS EM DESTAQUE

“Não Há Bela Sem João”
Este programa pode ser a solução para os sábados da estação passando também a ser emitido em horário nobre. No entanto cada uma das partes do programa deve ter um foco diferenciado para evitar a monotonia e saturação. Por exemplo, uma primeira parte (tarde) dedicada ao entretenimento e diversão e uma segunda parte (noite) dedicada aos diferentes tipos de relacionamentos usando géneros televisivos como o dating show, reality-show e coaching show.

“Secret Story 4: Segredos & Talentos”
Na minha opinião este programa pode ter fôlego para mais algumas temporadas, dependendo da vontade e engenho da TVI. Para além dos segredos que deveriam receber uma nova abordagem, seria adicionado uma nova componente: os talentos. Cada concorrente deveria possuir um talento que poderia ou não estar associado à realização de um sonho pessoal ou profissional. É importante introduzir elementos positivos no programa.

Cada programa das 21h30 deveria corresponder a uma fase decisiva para o desenrolar do programa.

Por exemplo:
Segunda – Prova do Líder. O vencedor teria poderes especiais durante o resto da semana, ganhando também imunidade.

Terça – Nomeações. Introdução de um novo mecanismo de nomeações.

Quarta – Roda dos Segredos. Os concorrentes só poderiam tentar acertar nos segredos nas noites de quarta-feira durante o diário e de acordo com um procedimento específico.

Quinta – Desafio da Semana. Um desafio ligado ao talento de cada concorrente.

Sexta – Limpeza da Casa. Festa da Semana.

O resumo de sábado passaria a ser emitido no latenight no lugar da sessão de cinema.

Nos domingos, por volta da uma da manhã, seria emitido um debate com a presença de um painel de convidados para comentar os acontecimentos da gala e antecipar a próxima semana.

Poderiam ser introduzidos muitos outros elementos como a penalização por cada palavrão proferido, sendo retirado um determinado valor (50 euros, por exemplo) de cada conta e colocado num “jarro” virtual visível num ecrã da sala. No fim do programa o valor arrecadado seria doado a uma instituição.

O “extra” do latenight seria mantido mas integrado no programa fixo deste período durante a segunda parte (01h00-02h00).

“Moeda ao Ar”
O público masculino é dos mais caros aos anunciantes por ser tão difícil de atingir uma vez que não são o alvo principal da programação das generalistas.
Por isso um programa de variedades com o desporto como tema principal seria uma excelente aposta para as manhãs de sábado.
Não seria um programa informativo, mas um programa para divertir o público com a participação de convidados especiais, especialmente da área do desporto, e também do público em casa e no estúdio.

CINEMA E SÉRIES
É preciso apostar de forma continuada nestes conteúdos caso contrário não resultam.
Na TVI as tardes e latenight de sábado são os horários livres e mais propícios à sua exibição, mas devem obedecer a critérios cuidados.

O ponto de vista descrito nesta crónica pode ser traduzido na seguinte grelha de programação:

Eu tive em atenção a necessidade de continuar a cortar custos com a programação. É por isso que na grelha modelo apresentada a quantidade de conteúdos repetidos aumentaria significativamente nos horários secundários, respondendo por mais de um terço do tempo de emissão, a que se juntam ainda as duas horas de televendas nas madrugadas que faz subir este valor para mais de 40%.
No entanto, o seu impacto no desempenho diário da estação depende da política de programação seguida. Por exemplo, a aposta num determinado programa deve ter em consideração a sua utilidade e rentabilização noutros horários e não apenas o horário de exibição original.
Para além dos programas, a própria grelha deve ser estruturada de modo a que tudo se encaixe e permita essa mobilidade e flexibilidade.

Na próxima semana irei abordar o futuro dos canais generalistas e se realmente estão em vias de extinção como é frequentemente pronunciado por vários sectores do mercado televisivo.

Por agora é tudo.
Fiquem em boa companhia!

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