ESC2013 – A Crítica [2ª Semi-Final], O Comentário!


Por João Leite e Tiago Vale

Por João Leite e Tiago Vale

Na noite de quinta-feira, pouco antes das 20h00, a Malmo Arena já estava preparada para acolher a segunda noite de espectáculo do Festival Eurovisão da Canção 2013, com uma forte comunidade de fãs ao rubro, balançando as suas bandeiras.

A edição deste ano, organizada pela SVT (estação pública da Suécia), despertava imensas expectativas, que de facto não foram goradas. Uma excelente produção, um design bonito e mágico, com representação de boletas pintadas com as bandeiras dos países participantes, e ainda a presença de uma apresentadora carismática e profissional, que embora sozinha fez um melhor trabalho que três apresentadores juntos, contribuíram definitivamente para que esta edição da Eurovisão esteja a ser um sucesso.Os suecos apresentaram este ano um conceito mais intimista, a fazer jus ao seu slogan “We are One”, que se reflectiu numa maior aproximação entre os artistas e o público.

Nesta segunda semifinal, mais 17 candidatos subiram ao palco do Malmo Arena com o objectivo de conseguirem o passaporte para a final.

Ao contrário da 1ª semifinal, no geral mais equilibrada, esta eliminatória incluía favoritos à vitória, tais como a Noruega, Azerbaijão e Geórgia. Por outro lado, outras actuações despertavam uma certa curiosidade, nomeadamente a Finlândia, com a polémica Krista Siegfrieds, o regresso de Valentina Monetta a representar o pequeno San Marino, entre outras interessantes apostas.

Vamos então passar à análise detalhada dos candidatos:

A Letónia ofereceu uma boa abertura de espectáculo, com uma actuação enérgica e badalada. Foi uns momentos de boa disposição, mas dado o fraco conteúdo (ou falta dele) da canção, obviamente não teria um final feliz.

Seguiu-se a actuação de San Marino, pessoalmente uma das minhas preferidas nesta semifinal. Valentina esteve esplêndida e calou muitas críticas, pois de facto nota-se claramente que é uma artista com experiência e boa intérprete. O jogo de luzes e a mudança de vestido foram atributos que enriqueceram muito a actuação. Gostava que tivesse um apuramento para a final, mas San Marino sempre foi um país com pouca força no certame.

Macedónia marcou por algumas falhas vocais, a meu ver, e a presença de uma dupla algo improvável. O país não tinha angariado grande consenso, e a sua não-classificação era um destino fácil de prever.

Azerbaijão e Fari Mammadov tiveram, neste palco, a melhor performance da noite. A coreografia esteve excelente, com a presença de um acrobata a reproduzir os movimentos do intérprete. Uma forte aposta vinda de um país que nunca descurou o festival. Esteve posicionado, muito provavelmente, no top3 desta noite.

Finlândia apresentou uma actuação tipicamente pop, com um fundo e coreografia apelativa ao televoto. Krista tem carisma para dar e vender, e a sua irreverência não passa despercebida. O beijo lésbico no final, que deu imensa controvérsia em países mais conservadores (nomeadamente a Turquia, que recusou-se inclusive a transmitir o programa), foi um golpe de mestre, tendo em conta que grande parte da comunidade fã da Eurovisão é homossexual. Fiquei contente pelo seu apuramento, eu gosto da música, é vibrante e super contagiosa. Well done, Finlândia.

Malta mais uma vez deixou perplexos imensos espectadores. Poucos acreditavam no apuramento à final, dada a natureza da canção: morna, meramente simpática, com pouca força. A verdade é que Gianluca conquistou os europeus com o seu sorriso, e com grande ajuda vinda do júri, obteve a sua passagem à final no Sábado.

Bulgária levou à Eurovisão um tema étnico, interpretado pela dupla que representou o país na edição de 2007, tendo tido uma posição considerável na tabela. Este ano foi a prova que a repetição de artistas não parece ser uma boa opção. Ou terá sido a essência da canção em si? Deixemos ao critério de cada um.

Islândia, com a sua balada nórdica, deliciou muitos telespectadores e o júri do festival. A sua vaga na final era algo previsível, o que de facto veio a acontecer. Embora eu ache aborrecida, sei reconhecer o valor do intérprete e a qualidade da composição. Foi uma classificação merecida, e outra proposta a listar nas preferidas do júri.

Os seguidores do Festival já conhecem muito bem como a Grécia funciona. Sempre foi um país forte, seja qual for a canção que levem ao evento. Por isso, a sua passagem não foi uma surpresa, do meu ponto de vista. O grupo Kosa Mostra deu energia e vivacidade à actuação, já Agathonas (como referi na antecipação à 2ª semifinal) parece fora do contexto.

Israel, podemos dizer, foi o flop desta noite, embora eu nunca tenha considerado a canção israelita uma favorita. De facto, o tipo de balada que Moran Mazon interpretou impecavelmente costuma funcionar na Eurovisão, como já foi demonstrado noutras edições. Contudo, parece que este ano algo correu mal. Fiquei triste, não o posso negar, era uma das minhas preferidas da final.

Por outro lado, a passagem da Arménia suscitou imensos assobios na arena. O seu apuramento foi visto por muitos fãs como injusto, dada a fraca qualidade deste rock. A sua qualificação baseia-se apenas e só no país que representa.

Hungria apresentou-nos uma balada romântica. Achei a actuação aborrecida e o intérprete pouco carismático. Também achei que ele estivesse nervoso, pois não se soltou muito. O forte apoio do júri, e de algumas meninas de corações sensíveis, concederam a pontuação suficiente para que Hungria perfilasse na lista dos 26 finalistas no Sábado.

Noruega brindou-nos com um apresentação profissional e de excelente qualidade! O instrumental pode ser pouco amigável, sombrio, mas é uma boa composição efectivamente. Irreverente e super viciante. A indumentária da Margaret assentou-lhe lindamente, e ela dignificou com certeza a bandeira norueguesa com a sua prestação em palco. Passagem mais que merecida, embora receie que na final descambe (como sempre…).

A segunda rockalhada da noite veio directamente da Albânia. Não gosto, assim como não gosto da Arménia. E não digo isto por ser rock, porque já se levou rock bom para a Eurovisão (Geórgia 2011, entre outras opções). As vozes dos intérpretes são más e além do mais não combinam. Contudo, desenvolveram um bom espectáculo de pirotecnia, como a música assim exigia.

A Geórgia resolveu jogar pelo seguro, com uma canção produzida pelo famoso compositor sueco G:son, o autor da vencedora do ano passado, ‘Euphoria’ da Loreen. Comparações à ‘Quédate Conmigo’ de parte, acho este tema algo amador. Parece algo feito às três pancadas, porque já vi melhor trabalho por parte de G:son. Os intérpretes mais não fazem do que uma imitação da dupla do Azerbaijão em 2011, recorrendo também eles a uma cascata de pirotecnia. A química entre o Nodi e a Sophie é igualmente má, e a fluência no inglês péssima. A nível vocal, houve muita gritaria e falhas vocais, principalmente por parte de Sophie. Nodi pareceu-me mais controlado.

O tema suíço é muito bonito, e eu gosto da melodia. Contudo, achei que os Takasa estavam deslocados dos restantes participantes, e a exibição pouco cuidada. Limitaram-se a cantar e a tocar, nada mais. Por isso, acho que até foi justo terem ficado pela semifinal. Mas também já sabemos como é que funciona o televoto, e o facto de a Suíça ser dos poucos países ocidentais em concurso naquela noite não lhe saiu em favor.

A noite terminou com a actuação do Cezar. Não percebo as críticas a este tema. Embora a indumentária seja propositada para provocar, não podemos negar a qualidade de Cezar enquanto artista. Demonstrou ser profissional e isso reflectiu-se na sua classificação. Parabéns Roménia!

Foi uma semifinal renhida e, regra geral, ninguém foi medíocre e todos tinham pontos a favor e pontos contra. A maior desilusão poderá ser a não passagem de Israel e de San Marino e a maior contestação a passagem da Arménia.

Assista às reacções imediatas dos finalistas desta noite:


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