[Estreia] “Mira Técnica”, a nova rubrica do Zapping

Por Paulo Andrade

Paulo Andrade estreia-se no Zapping com a rubrica ‘Mira Técnica’. Nesta primeira crónica, Paulo tenta responder a algumas perguntas que se prendem com o futuro imediato da televisão portuguesa, nomeadamente, no ano de 2013.

Como será a televisão portuguesa em 2013?

Chegará ao fim a crise que afeta o setor audiovisual?

Haverá consenso sobre a medição de audiências?

Continuarão as generalistas a perder audiência para os canais temáticos e outros?

Conseguirá a SIC recuperar a liderança perdida em 2005 para a TVI?

Acordará a RTP1 da letargia dos últimos anos, escapando ao esquecimento do público?

E a novela que a RTP protagoniza chegará ao fim?

Cumprirá Júlia Pinheiro o propósito da sua contratação?

Bafejarão os deuses das audiências os programas de entretenimento da SIC?

Qual será a surpresa do ano?

E o grande sucesso?

E o grande fracasso?

Em seguida, procurarei responder a estas interrogações.

Como será a televisão portuguesa em 2013?
Sem dúvida que será mais do mesmo. Palavras para quê?

Chegará ao fim a crise que afeta o setor audiovisual?
Nem de perto nem de longe. É verdade que a situação do país não dá grande margem de manobra. No entanto, a crise que assola o setor audiovisual precede largamente a crise nacional. Por isso existem fatores intrínsecos que afetam o desempenham do setor, como por exemplo, a exportação. É de longe o mais importante, especialmente num mercado em retração contínua.

É crucial reduzir a importação e produzir de acordo com as necessidades do mercado nacional e do mercado internacional.

A inovação é a maior e mais barata arma contra a crise. É preciso criar formatos nacionais com potencial exportador na ficção, no entretenimento, etc.

E mesmo a coqueluche da televisão nacional não desperta grande interesse no mercado externo, devido essencialmente à duração excessiva das histórias contadas.

Se tudo continuar como até aqui, a exibição de “Páginas da Vida” será apenas a ponta do icebergue do que está para vir!

Haverá consenso sobre a medição de audiências?
Enquanto dois (RTP e TVI) dos três principais operadores continuarem a obter audiências longe do que consideram justo este permanecerá distante. No entanto, por quanto tempo poderão recorrer a razões técnicas para justificar determinado posicionamento?

A GfK promete para Março, isto é, exatamente um ano depois de iniciar as medições de audiências, um painel definitivo e de acordo com todas as conformidades. Quanto a mim a TVI aproveitará a ocasião para mudar de posição, enquanto a RTP poderá continuar a criticar o sistema de medição.

Continuarão as generalistas a perder audiência para os canais temáticos e outros?
É quase impensável que as generalistas continuem a perder audiência, mas isso deverá continuar a acontecer, mas devido essencialmente à queda da RTP. É de prever uma estabilização dos valores da SIC e TVI.

Conseguirá a SIC recuperar a liderança perdida em 2005 para a TVI?
No ano passado, a SIC conseguiu aproximar-se da TVI, especialmente devido à subida no horário nobre. No entanto, para chegar à liderança absoluta precisa de estender os bons resultados ao daytime (07h00-18h00). Como não se preveem investimentos e/ou mudanças na programação do daytime, a SIC terá que contentar-se com o segundo lugar por mais um ano, mesmo que possa declarar algumas vitórias, como no target comercial (A15-54 – determinante para o investimento publicitário).

Acordará a RTP 1 da letargia dos últimos anos, escapando ao esquecimento do público?
Já foi anunciada a ‘nova programação’ da estação para 2013, sem grandes novidades e fatores que permitam antecipar uma reação nas audiências, até pelo contrário, sendo bastante provável que atinja um novo mínimo histórico.

E a novela que a RTP protagoniza chegará ao fim?
É quase certo que chegue ao fim, mas provavelmente sem final feliz. No entanto, as estações privadas poderão esfregar as mãos de contentes, pois reforçará a bipolarização das audiências de sinal aberto.

Cumprirá Júlia Pinheiro o propósito da sua contratação?
É de prever uma subida do “Querida Júlia” em 2013, atingindo a fasquia dos 20% de share. O primeiro lugar continuará a ser uma miragem. No entanto, será de continuar a questionar a permanência da principal cara do entretenimento da estação num horário com um peso relativo tão pequeno (3 horas que valem tanto como o horário das 18 horas que está como que ‘abandonado’ pela SIC).

Bafejarão os deuses das audiências os programas de entretenimento da SIC?
Depois de um annus horribilis no entretenimento, conseguirá a SIC um annus mirabilis?

Para já todas as esperanças estão depositadas em “Vale Tudo”, que segundo os responsáveis da estação irá colocar a SIC no topo das audiências e destronar a TVI.

Embora estejam por esclarecer algumas dúvidas sobre o mesmo, como a sua duração e se será em direto ou gravado, não deverá sujeitar a estação à mesma humilhação que “Ídolos 2012” e “Toca a Mexer”, devendo aproximar-se do desempenho de “Peso Pesado 2”.

Qual será a surpresa do ano?
(Para alguns) O cancelamento do terceiro horário de novelas em Queluz de Baixo, uma década depois da sua abertura.

E o grande sucesso?
Os mesmos do ano passado: “A Tua Cara Não Me É Estranha” e “Secret Story”.

E o grande fracasso?
A nova programação da RTP1.

Embora o meu desânimo com o panorama televisivo nacional seja evidente, acalento a esperança de um dia…

Na próxima semana irei debruçar-me sobre a nova RTP1.

Fiquem em boa companhia. Até à próxima!

A rubrica pode ser comentada no fórum Zapping!

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