[Estreia] ‘Pontas Soltas’, a nova rubrica de opinião do Zapping!


José Rodrigues junta-se ao lote de cronistas do Zapping e a partir de hoje, semanalmente, tentará dar o seu ponto de vista através da crónica ‘Pontas Soltas’.

A paixão pela televisão e RTP: que solução?

Uma das minhas verdadeiras paixões chama-se “televisão”. Desde miúdo que fiquei fascinado pela caixinha mágica e por tudo aquilo que envolve a mesma.

Em casa, ficava parado para ver os principais rostos dos noticiários da noite, como por exemplo, José Rodrigues dos Santos, Judite Sousa, José Alberto Carvalho, José Eduardo Moniz (irei tocar neste nome mais em baixo), entre outros. Talvez por isso, tenha ficado apaixonado por ela desde o início da minha existência.

Como tal, decidi começar a escrever estas crónicas semanais num país que quase conta com 40 anos de liberdade – liberdade essa, que não tem sido devidamente aproveitada por todos aqueles que a conquistaram, mas isso são outras histórias. E começo da melhor (ou pior, depende dos pontos de vista que cada leitor avalia!) forma, com o 57º Aniversário da RTP. Mais propriamente, da gala de Aniversário da estação de serviço público de televisão.

Numa altura em que a RTP continua a estar completamente indefinida sobre a sua posição em termos televisivos (e não só. Porquê? Eu já vou explicar mais à frente), onde tiveram de acabar com um dos “fundos comunitários” mais relevantes para o funcionamento da empresa pública, a indemnização compensatória – e consequentemente, veio o aumento da taxa nas faturas de eletricidade, e onde está prestes a perder um dos principais ativos da empresa – João Baião, o primeiro canal disponibilizou dinheiro para fazer uma comemoração, no mínimo, curioso.

O alinhamento da gala, as músicas incidentais acompanhadas pela orquestra, os momentos de humor protagonizados por 7 dos maiores nomes do panorama cultural e audiovisual português e os timings de passagens de diversos momentos da gala (alguns bons, outros assim-assim), fizeram lembrar, sem dúvida alguma, as gloriosas galas da TVI, quando Moniz era o director-geral do quarto canal. Por isso, não é por acaso que a sua empresa de consultoria esteve presente na organização e gestão deste produto televisivo.

Nada de novo que pudessem apresentar aos telespectadores, a gala ficou muito aquém das expectativas. Os momentos das perguntas desde os anos 50 até aos dias de hoje, onde entraram os colaboradores da RTP eram dispensáveis.

Herman José, o homem que mudou o humor em Portugal devia merecer uma melhor e mais singela homenagem pelos seus 40 anos de carreira. Luiz Andrade – um dos maiores vultos da televisão de Portugal e nós, enquanto portugueses e espectadores lhe devemos muito – a quem deram o título do “prémio carreira”, foi tratado com maior desprezo pela produção do programa.Eunice Muñoz, idem.

Mas, o facto que mais me impressionou foram as constantes autopromoções que atores, apresentadores e humoristas que trabalham naquela casa, fizeram aos seus programas. Isto só prova duas coisas: primeiro, que a RTP está a fazer todo o tipo de jogos (limpos ou sujos, como queiram) para conseguir o total de 22% de share – nos dois principais canais! – no final deste ano, como o atual presidente tinha prometido ao Estado; segundo, o dinheiro que foi investido naquela noite devia ser tido transferido para projectos mais sólidos, como por exemplo, a continuação da Academia RTP ou de programas que visassem a cultura do nosso país (porque até agora, não foi produzido nenhum documentário para a RTP2).

O grande problema é que a RTP sempre foi visada pela televisão e agora, as perguntas que se impõem são estas: “E a rádio? Onde é que é ela fica no meio disto tudo, destas guerras internas? Será que está a ser servido aos ouvintes, o melhor serviço público de rádio? Quando e como – se isto alguma vez acontecer – é que vão tocar no processo das ondas hertzianas?”.

Estas são perguntas que terão resposta numa outra oportunidade. De uma coisa é certa: a RTP tem de mudar as suas posições estratégicas para servir bem e melhor, o telespectador. A RTP tem de ser diferente das restantes estações privadas, oferecendo uma programação diversificada para todos. E o que está a acontecer, é exatamente o contrário.

José Rodrigues

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