José Eduardo Moniz diz que a TVI é que está mal e não as audiências


José Eduardo Moniz

Para José Eduardo Moniz não são as audiências que estão mal, mas sim a TVI

José Eduardo Moniz pegou na TVI em 1998 e em 2005 tornou-a na estação preferida dos portugueses. Líder de audiências há 8 anos consecutivos, em 2013, a estação pela qual tanto lutou está a perder terreno para a SIC na batalha das audiências.

Se para muitos dos responsáveis da TVI, isto deve-se à má medição de audiências, para aquele que foi o homem-forte da estação, esta é uma desculpa insignificante.

«Como não acreditar nas audiências?», começa por se questionar José Eduardo Moniz numa entrevista à TV Guia, «há forma de fugir a elas, mesmo que se desconfie dos sistemas e das metodologias de medição? A pergunta é meramente retórica, pois das audiências depende a vida das privadas.»

Para o antigo diretor-geral da TVI, «o facto de a SIC estar a obter bons resultados significa apenas o óbvio, que está a conseguir captar espectadores, por mérito próprio e provavelmente também por descuido dos concorrentes.»

«A liderança implica sempre mérito da parte de quem a conquista, como é óbvio. Mas esse mérito pode ter diversos graus. E sem retirar valor às ações de ninguém, é conveniente lembrar que, frequentemente, a obtenção das lideranças beneficia de erros, desatenções e falas estratégicas dos adversários», explicando a queda dos números da ficção da TVI.

Desde que abandonou a estação em 2009, José Eduardo Moniz acredita que a TVI tem vindo a perder a sua identidade e isso está a reflectir-se no crescimento da ficção da SIC. Por isso mesmo não crê que «os portugueses, subitamente, tenham mudado de gostos.» e volta a realçar que «é provável que o que quer que se passe tenha a ver com perdas de identidade, com diluição de carácter e com qualidade dos guiões e das histórias que suportam».

A saída de alguns pesos pesados da TVI como Júlia Pinheiro e Gabriela Sobral ajudaram na perda da identidade do canal 4 que tantos anos demoraram a solidificar-se: «Júlia Pinheiro e Gabriela Sobral são duas grandes profissionais, nas respectivas áreas, muito conhecedoras de TV e da TVI, da sua idiossincrasia e das pessoas que a dirigem.» Também, para Moniz a saída de André Cerqueira da realização de novelas foi uma outra grande perda da ficção.

O actual estado daquela que foi a sua televisão por 11 anos deixa José Eduardo Moniz preocupado «por aqueles que lá trabalham com empenho genuíno e com dignidade. Nada mais», finzaliza.

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