Luís Andrade: 1935-2013


RTP

Luís Andrade faleceu este sábado em Lisboa

A RTP, em particular e a televisão, em geral estão de luto. Faleceu Luís Andrade, um dos grandes senhores da caixinha mágica.

Luís Andrade morreu hoje aos 77 anos depois de ter sofrido um AVC a 14 de fevereiro deste ano. O ex-realizador permaneceu internado durante várias semanas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Regressou posteriormente a casa e estava a recuperar.

Luís Andrade era o mais antigo realizador de televisão e foi diretor de Programas da RTP. Era pai da apresentadora Serenella Andrade, de Hugo Andrade, atual diretor de Programas da RTP e de Ricardo Andrade, também profissional da estação pública.

Pioneiro da televisão, Luís Andrade fez um pouco de tudo na RTP. «Fala o comandante, vamos levantar voo», dizia sempre no início de cada emissão que coordenava. Deixou a sua casa profissional de sempre em 2007, ao fim de 46 anos de dedicação, com a expressão «Meus senhores, vamos aterrar», a mesma que usava no fim de cada transmissão da sua responsabilidade.

Luís Andrade, com Nuno Santos como braço direito, tomou as rédeas da RTP numa fase de grande aflição da estação, que estava em claro divórcio com os espectadores. Encetou, no início da década passada, uma das maiores arrumações de que a RTP foi alvo, relançando a estação na rota do prestígio e da conciliação com o seu público. «O problema da RTP é ter dinheiro a menos e pessoas a mais (..) Temos de ter a dignidade de dizer a verdade. Havia locais nesta casa em que as pessoas passavam o dia a olhar para o tecto», disse em 2002.

Inicialmente cantor de ópera, com prémios ganhos, foi desafiado pelo então presidente da RTP para ser realizador. «Eu que nem sabia tirar uma fotografia», contou por alturas da sua despedida da estação. Foi estagiar para França, Inglaterra e Itália em televisões com muito dinheiro, ao contrário da RTP, que estava a começar e sem grandes investimentos por parte do Estado, que olhava de lado para este novo meio de comunicação.

Foi um dos cérebros por trás do “Zip Zip”, o primeiro talk show da televisão portuguesa. Foi responsável por 12 “Festivais RTP da Canção”, pelos míticos “Jogos Sem Fronteiras” e por um “Festival OTI”.

Chefiou ainda as comemorações dos 50 anos da RTP. Sem esquecer o passado, tentou virar a RTP para o futuro. Terminou a carreira com sentimento de dever cumprido.

Ficam perdidas no tempo – e nos arquivos da RTP – as dezenas de programas dos quais foi responsável ao longo de quase 5 décadas de dedicação à televisão.

Tido como um autêntico cavalheiro, um dos últimos no meio televisivo, Luís Andrade deixa a televisão portuguesa mais pobre.

Com uma longa carreira ligada à área, Luís Andrade confessou nas vésperas da sua reforma que «Os momentos felizes na RTP foram fortes de mais para que coisas mesquinhas pudessem alterar a minha posição». Dizia frequentemente «Em televisão, temos de ter a dignidade de dizer a verdade». Fica o ensinamento.

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