[Pontas Soltas]: Cristina, uma estrela caída (literalmente) do céu

Cristina. Uma estrela (literalmente) caída do céu

12 anos é muito tempo. Passaram-se coisas inacreditáveis no nosso país e no nosso mundo. E pelo início desta passagem, em 2002, quando toda a gente pensava que tinha saído todo o tipo de apresentadores no nosso panorama audiovisual português, eis que chegava, uma miúda vinda da Malveira para surpreender tudo e todos. Uma miúda que procurava concretizar os seus sonhos. E esses sonhos… passavam pela televisão.

De seu nome, Cristina, chegou a ter (uma curta) experiência como professora, mas percebeu que a comunicação não poderia passar apenas dentro de uma sala de aula. Deixou de ensinar e mais tarde, passou a ser ensinada, por alguns dos grandes comunicadores e inovadores da televisão nas últimas duas décadas.

Em 2002, Cristina enquanto percorria o seu caminho, a nossa caixinha mágica, continuava a ser inundada pelo “Big Brother”, um dos maiores fenómenos televisivos de sempre. O reality-show (uma jogada de mestre feita por José Eduardo Moniz para relançar a TVI) dava que falar pelas suas polémicas com anónimos e até mesmo, com os chamados famosos.

Nesse mesmo ano, voltava pela 3ª terceira vez na televisão pública, “O Preço Certo”, onde Jorge Gabriel foi o escolhido para comandar as operações deste concurso – e, passado um ano, Fernando Mendes viria a ocupar o seu lugar para lidar há 11 anos consecutivos, o horário das 19h.

Também em 2002, a ficção nacional andava repartida entre os 3 canais generalistas, embora que a TVI continuasse a surpreender os espectadores com as histórias reais de Portugal e das suas gentes. E neste ano, também entra Cristina, no início daquele que viria a ser, um dos melhores percursos profissionais de sempre na história da nossa televisão.

A rapariga que, na altura, tinha 24 anos, aprendeu com os melhores, como se fazia televisão. Toda a gente que a lecionou via nela, um poço de incrível talento. E toda a gente ficou espantada com a genuinidade e a honestidade que ela demonstrava perante as pessoas. Nunca deixou as suas origens e nem sequer admitiu o facto de haver alguma hipótese de renegar a sua família e principalmente, os seus pais.

A partir daqui, a caminhada foi ficando cada vez maior. Primeiro, como estagiária no jornalismo televisivo e depois pela apresentação. Apesar de ter ganho experiência no terreno como repórter, a paixão pela apresentação falava mais alto. Nunca deixou de aceder aos desafios que lhe propunham. Lutou com todas as forças para alcançar os seus objectivos e demonstrar bem alto, aquilo que sentia na televisão.

Passados 2 anos, ela conseguiu chegar num dos horários mais importantes da televisão. A sua força destemida, a sua simpatia e o seu carisma demonstrado perante os portugueses, revelaram que o tiro de Moniz e de Júlia Pinheiro (na altura, coordenadora-geral do seu primeiro programa que ainda hoje está no ar) fizeram para que o quarto canal atingisse a liderança absoluta foi certeiro.

A partir de 2004, foram vários, os sucessos atingidos por Cristina. Ela sabia que podia ficar por aqui, mas não. Continuou a sua caminhada de uma forma louca, mas ao mesmo tempo, saudável, sempre com a consciência de que a sua paixão nunca iria morrer.

Tornou-se uma empresária de sucesso, lançou um dos blog’s mais influentes da atualidade, criou uma linha de sapatos, foi nomeada diretora de conteúdos não-informativos e muito em breve, será lançada uma linha de perfumes em seu nome. Mas, mais do que isso, teve uma alegria que consegue superar tudo isso e que qualquer mulher pode encher-se de orgulho: o seu próprio filho que foi criado com todo o amor e carinho, como todas as crianças deviam ser tratadas desde início da vida.

Nestes últimos 12 anos, muitas pessoas criticavam (e criticam!) o seu estilo televisivo. Muitos dizem que ela não merecia estar naquela posição, que não tem jeito para apresentar e que é – como se diz nas terras mais interiorizadas – muito broeira.

Mas, o que muita gente se esquece é que ela conseguiu concretizar tudo aquilo que quis (até mais do que estavam à espera), sempre com o apoio da família e dos amigos mais próximos. Que ela continua a demonstrar que é a mesma rapariga de Malveira de 24 anos, que andava nas feiras a ouvir música popular portuguesa e ajudar os pais, no que fosse necessário, pela estrada fora.

As pessoas esquecem-se de que, Cristina é um ser humano como outro qualquer que teve as mesmas oportunidades como todas as pessoas que muitas delas, neste momento, procuram trabalho, nem que seja para sobreviver. Ela é um grande exemplo para seguir nas nossas vidas. E merece tudo aquilo que conquistou até agora.

É caso para dizer: ainda bem que esta “estrela” caiu… literalmente do céu.

Por José Rodrigues

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