[Pontas Soltas]: Vários Pontos a Acrescentar

Vários Pontos a Acrescentar

1. No passado domingo, a polémica instalou-se quando José Rodrigues dos Santos confrontou José Sócrates no seu espaço de comentário na RTP.

As declarações feitas, na altura, em que era primeiro-ministro e as suas contradições, deixaram o comentador visivelmente irritado. O que só prova que finalmente vemos um jornalista a sério para fazer frente a uma pessoa ligada à área política.

Para quem ainda não percebeu daquilo que estou a falar, na última década televisiva, os políticos da nossa praça pública tem utilizado a caixinha mágica, de uma forma arrogante e prepotente para transmitir os seus pontos de vista. Nas grandes entrevistas, tudo o que se transmitiu foi com o único propósito de favorecer os últimos Governos (incluindo o actual), para ficarem bem na fotografia e para transmitir às mais altas entidades do ponto favorável (?) do nosso país, em termos económicos e financeiros.

Pergunto-me, porque é que os melhores jornalistas que tivemos para enfrentar a verdade e a ética jornalística, começaram-se a vender para o bem das empresas privadas de comunicação social onde estão inseridas? Porque é que não vemos um confronto sério, directo, com perguntas objectivas para esclarecer os portugueses, sem aquele discurso do costume?

A verdade é que precisamos de jornalistas como Rodrigues dos Santos (que teve uma grande escola de aprendizagem, a BBC) para tornar o jornalismo mais credível. O papel dele, na situação que foi referida anteriormente, era de moderador, é certo. Que muita gente não gosta da sua personalidade televisiva, também é verdade. Mas, factos são factos. Segundo ele (e passo a citar), «o entrevistador não é nem pode ser uma figura passiva que está ali para oferecer um tempo de antena ao político. O entrevistador não é o ponto do teatro cuja função é dar deixas ao actor. Ele tem de fazer perguntas variadas, incluindo perguntas incómodas para o entrevistado. Não deve combinar perguntas com os políticos, mas deve informá-lo dos temas. No acto da entrevista o entrevistado puxa pela sua faceta positiva e o entrevistador confronta-o com a sua faceta potencialmente negativa. Espera-se assim que o espectador veja as duas facetas.»
E foi aquilo que eu senti, quando vi o “Telejornal” de Domingo na estação pública. Foi a primeira vez que o ex-primeiro ministro sentiu incomodado pelas perguntas feitas pelo jornalista da RTP e isso foi a prova de que, nem tudo está mau na televisão.

2. A TVI fez uma jogada de mestre, quando foram buscar Ricardo Araújo Pereira para fazer um programa diário, depois do principal noticiário.

Ele é, neste momento, um dos melhores humoristas do momento e esta contratação foi no momento certo, numa altura, em que “O Beijo do Escorpião” não está a ter os resultados que a direção-geral do canal estava à espera e “Belmonte” desceu drasticamente as suas audiências, em função da mudança de horário.

“Melhor que Falecer” será uma espécie de “Mixórdia de Temáticas” televisiva, com convidados especiais e apenas com… 5 minutos de duração, com compacto semanal. Sabemos que o humor de Ricardo será inteligente e corrosivo como sempre. E confesso: fazia falta um programa deste género, para alegrar os portugueses e para fazer esquecer os problemas que ultrapassamos diariamente. Nem que seja por… 5 minutos.

3. O dia de Domingo continua a ser o dia mais forte para fazerem as grandes apostas de entretenimento no nosso panorama televisivo.

Desta vez (e voltando a falar nela), a RTP volta a apostar no “The Voice”, um dos formatos mais surpreendentes da televisão, nos últimos anos. Catarina Furtado será novamente a principal anfitriã, juntamente com Vasco Palmeirim. O radialista da Rádio Comercial foi a escolha acertada para acompanhar a divã da RTP e vai trazer certamente, uma grande frescura e muita diversão ao formato. Duas dúvidas, quanto ao formato.

Primeira: a estreia de Mariana Monteiro na apresentação. A atriz, depois de ter rescindindo o contrato de exclusividade que tinha na TVI, decidiu fazer um novo rumo à sua vida profissional e rumar para o concurso de talentos musicais. Veremos como o seu percurso no programa irá correr e esperamos que não seja mais um protótipo para ser mais um modelo pré-definido.

Segundo: a aposta no “The Voice” no domingo será rentável para a RTP, perante os fortes concorrentes da SIC e TVI, numa altura em que é urgente atingir os 22% de share (nos dois canais!) no final deste presente ano? A ver vamos, na sua estreia e pela medição de audiências.

Por José Rodrigues

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