[Raio Z] Entrevista a Lídia Franco: “Ignoro as “audiências”, embora saiba que na indústria da televisão isso conta muito.”


Começou bailarina, mas rapidamente se fez notar nos teatros portugueses e internacionais. Para além da dança e do teatro, a atriz passou também pelo mundo do cinema e, em contacto com o grande público, no pequeno ecrã, com participações em várias séries e novelas, como ‘Fala-me de Amor’, ‘A Outra’, ‘Meu Amor’, ‘Rosa Fogo’, entre outras. Atualmente podemos ver a atriz em ‘O Beijo do Escorpião’.
É hoje uma conceituada atriz, com mais de 50 anos de carreira. Lídia Franco a Raio Z, no Zapping.

Zapping: Voltou ao pequeno ecrã em ‘O Beijo do Escorpião’, com Madalena de Albuquerque. Como tem sido dar vida a esta personagem?
Lídia Franco: Tem sido: beber gin e levar pancada do marido e sofrer, sofrer, sofrer e ao mesmo tempo ter o prazer de estar a fazer um bom trabalho.

Z: De que forma é que se preparou para a mesma?
LF: Em relação ao lado alcoólico da Madalena não foi fácil, pois pessoalmente quando bebo um bocadinho, adormeço! Em relação a levar pancada também não foi fácil pois tenho horror a isso! Portanto, a preparação foi mais feita pela observação, etc…

Z: Ainda não muito distante no tempo, em ‘Rosa Fogo’, interpretou Teresa, uma personagem que sofria de Alzheimer. É um privilégio para si interpretar personagens com características diferentes umas das outras? Porquê?
LF: Claro. É isso mesmo que qualquer ator procura: personagens complexas que nos obriguem a descobrir mais e também mudanças de registo. Por exemplo, agora o meu sonho é fazer comédia novamente.

Z: Das personagens que interpretou até hoje, qual a mais marcante para si?
LF: A mais marcante é sempre a que se está a fazer (a viver). Depois há trabalho que por uma série de razões nos marcarão para toda a vida. É o caso do monólogo de Eric-Emmanuel Schmitt, ‘Oscar e a Senhora Cor-de-Rosa’.

Z: ‘O Beijo do Escorpião’ não tem conseguido vencer a concorrência nas audiências. Um ator, fazendo parte de um projeto de ficção, dá bastante importância aos resultados ou é algo que não interfere no seu trabalho?
LF: Ignoro as “audiências”, embora saiba que na indústria da televisão isso conta muito. Mas eu só posso dar o meu melhor e o resto ultrapassa-me.

Z: Se a convidassem para escrever uma novela, que temas abordaria?
LF: Os temas atuais da sociedade global, além dos eternos que são a busca da Felicidade, o Amor…

Z: O que pensa do estado atual da ficção portuguesa? Portugal merece um lugar de destaque no plano internacional?
LF: Ainda temos muito para progredir e material humano não nos falta. Temos bons técnicos e ótimos atores…

Z: Quais as maiores diferenças entre a ficção de há vinte anos e a ficção atual?
LF: Progredimos muito numas coisas e regredimos noutras. Quem mais progrediu foram os atores e os técnicos.

Z: ‘Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa’ fez, durante alguns anos, parte da sua vida profissional, tendo-a apresentado por todo o país. Que balanço faz da peça e da receção por parte do público?
LF: É uma peça sublime! O público adorou e continuo, ao fim de cinco anos, a receber convites para fazer esse espetáculo. Tal como ficará para sempre na minha vida, este ‘Oscar e a Senhora Cor-de-Rosa’ fica no coração de cada pessoa que assiste a este espetáculo.

Z: No que toca ao futuro, tem regresso previsto ao teatro?
LF: A minha vida é uma constante procura de bons textos para tentar fazer em teatro (a arte do ator). Neste momento, preparo um espetáculo de poesia e música e procuro uma boa comédia!

Z: Perguntas Rápidas:
Maior Vício… Comer.
Livro/Filme/Música/Série Favoritos… Piazolla.
Na TV não dispenso… “Zapar”.
A pessoa que mais admiro… O meu filho.
Não vivo sem… Arte.
Não saio de casa sem… As chaves.
Um dia corre bem quando… Sol.

Z: Para terminar, a sua vida dava uma novela? Porquê?
LF: Porque tem emoção.

Entrevista de Samuel Rocha
Revisão de Inês Silva

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