[Raio Z] Entrevista a Luís Aleluia: “Um ator está em perpétuo processo de aprendizagem e cada nova experiência!”


Já deu vida a uma das personagens mais emblemáticas da história da ficção em Portugal, mas hoje é em ‘Bem-Vindo a Beirais’ que podemos acompanhar Luís Aleluia.
Com séries, sitcoms, novelas e várias peças de teatro no currículo, é o eterno Tonecas que temos hoje o prazer de apresentar em mais uma edição de ‘Raio Z’!

Zapping: ‘Bem-Vindo a Beirais’ está constantemente a ser renovado. Enquanto ator como vê este fenómeno?
Luís Aleluia: Um ator está em perpétuo processo de aprendizagem e cada nova experiência, seja com a adaptação ao perfil que o personagem tem de ter em cada episódio, seja pela contracena com os atores que se vão renovando no elenco, não deixa de ser uma experiência muito estimulante.

Z: Sente que o seu personagem ainda tem mais espaço de manobra?
LA: Em ‘Bem-vindos a Beirais’ tudo pode acontecer. E como o processo de escrita não é fechado o “espaço de manobra” é proporcional à criatividade dos autores e das expectativas da audiência!

Z: Se esta série passasse na TVI ou na SIC tinha condições para liderar?
LA: Esta aposta da RTP é uma aposta ganha em qualquer frente, seja qual for a dinâmica e o canal que for emitido, porquanto, quem manda é o público! Hoje em dia o consumo do produto audiovisual alterou-se com a inovação tecnológica e a oferta de novas plataformas! ‘Bem-vindos a Beirais’ tem milhares de consumidores na RTPplay, por exemplo, e muitos outros telespectadores, sobretudo os mais jovens, assistem os episódios em diferido, que ficam gravados nas “boxes” dos servidores de sinal. Já para não falar dos milhares que nos seguem a RTP Internacional e na RTP África… Diga-me você se tinha condições para liderar!

Z: Como é interpretar o Júlio?
LA: É muito bom. O Júlio é um bom carácter, popular sensível que ama a música tal como eu amo o teatro e a representação. Nessa perspetiva “jogo em casa”. Também o facto de a narrativa não ser fechada obriga a um exercício de trabalho de ator de forma a corresponder à idealização que o autor do episódio criou para o personagem e que me motiva bastante.

Z: Esteve noutra série da RTP, ‘Agora a sério’, que se passava numa Redacção de Jornal, como foi este projeto?
LA: Muito bom! Arrisco dizer que também será uma série vencedora quando houver disponibilidade para a emitir! Os textos da equipa: Henrique Dias, Frederico Pombares e Roberto Pereira, que dispensam adjetivações pelas excelentes provas dadas, são excelentes; o elenco admirável com a Ana Brito e Cunha, a Carla Salgueiro, o Carlos Areia, o Ricardo Castro, a Rosa Soares e o Samuel Alves e eu, claro, a darmos o melhor. Deixo aqui uma palavra de louvor ao trabalho do Eduardo Gradim, realizador do projeto, ao Nuno Vaz, bem como a toda a equipa de produção que foram de uma eficiência exemplar e aos jovens profissionais saídos da Academia de Formação da RTP Porto que coadjuvaram o projeto e que passaram com distinção esta prova.

Z: Acha que ainda é um projeto que poderá voltar para uma segunda temporada?
LA: Apesar de achar que será um sucesso quando for emitido, compreendo que só faça sentido pensar-se numa segunda temporada se o produto provar ser apelativo e ter audiência, até lá parece-me prematuro pensar nisso!

Z: É impossível falar do Luís sem falar do Tonecas. Sente que ficou colado àquela personagem?
LA: O Programa ‘As Lições do Tonecas’ marcaram de forma inquestionável o meu percurso profissional e, dado o elevado sucesso que a série granjeou, o personagem colou-se-me à pele de uma forma tal que ainda hoje é difícil a algum público separar-nos um do outro! Mas o mais curioso é estar a viver a experiência de andar na Faculdade a fazer uma licenciatura e ter como parceiros de turma colegas que, à altura, foram os maiores fãs e os impulsionadores do êxito em que se tornou o Programa de televisão.

Z: Um dia poderemos voltar a vê-lo interpretar este clássico?
LA: Em televisão não creio. Em teatro, nos meus espectáculos, continuo a desempenhar o personagem e com bastante agrado.

Z: Quais foram os principais ensinamentos que o Tonecas lhe deu?
LA: Que não se deve chegar tarde à escola, serve?! Estou a brincar, obviamente. Foram muitos os ensinamentos, mas talvez o maior deles é a confirmação de que a humildade no ator é uma qualidade essencial para quem faz disto profissão e forma de comunicar.

Z: A maioria das personagens que o vimos interpretar até hoje estão ligadas à comédia, teme que se um dia interpretar um homem mais sério o público não o leve a sério?
LA: Não! O público sabe apreciar os registos e avaliar os desempenhos. E nem sempre a comédia é para rir… Na série ‘Bem-vindos a Beirais’ há, aliás, episódios em que o personagem que interpreto tem um registo mais dramático e nem por isso o público rejeita! O que temo é não conseguir corresponder ao grau de excelência que os diversos papéis me exigem, sejam eles humorísticos ou dramáticos.

Z: Perguntas Rápidas:
Maior Vício… Jornais.
Livro/Filme/Música/Série Favoritos… Livro: ‘Meu pé de laranja Lima’; Musica: Jazz; Série: ‘Bem-vindos a Beirais’; Filme: drama, ‘A cor púrpura’, humor, ‘A Vida de Brien’.
Na TV não dispenso… A informação e os magazines.
A pessoa que mais admiro é… A minha mãe.
Não vivo sem… A família e os amigos!
Não saio de casa sem… Me vestir… Seria cómico demais!
Um dia corre bem quando… Chego a casa e tenho o abraço dos filhos…

Z: Pergunta Final: A sua vida dava uma novela? Porquê?
LA: Pelo percurso?! Um menino que perde o pai aos 9 anos, equilibra-se! Aos 20 anos vem para Lisboa sozinho à conquista da Cidade e de uma carreira profissional… Desenvolve várias atividades, conhece gente maravilhosa, outros nem tanto, mas nem por isso menos importantes para o seu crescimento interior e profissional! Voltou à Faculdade para estudar porque acha que tudo o sabe é tão pouco para poder dizer que sabe alguma coisa sobre o mundo!
O primeiro episódio da telenovela da minha vida poderia começar justamente com esta entrevista, desafio aceite?!

Entrevista de Ricardo Neto
Revisão de Inês Silva

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