[Raio Z] Entrevista a Pedro Macedo: “O mercado está sempre em movimento e os atores têm que se adaptar a isso.”


A 11 de março de 1991 nascia, em Barcelos, um dos atores da nova geração. Pedro Macedo estreou-se em ‘Morangos com Açúcar’ na pele do cómico Tozé, um projeto que lhe foi parar às mãos “por acaso”.
Depois de participações em ‘Espírito Indomável’, ‘Doce Tentação’ e ‘O Beijo do Escorpião’, apresenta-se hoje ao Zapping, sem filtros, em mais uma edição de ‘Raio Z’!

Zapping: A sua primeira experiência, a longo prazo, em televisão foi na série da TVI, ‘Morangos com Açúcar’. Como chegou à série?
Pedro Macedo: Estava a fazer uma formação no Porto, na Universidade Católica, em que o atual diretor de elencos da Plural estava presente como formador. Ele, juntamente com Lucinda Loureiro e Cristina Cavalinhos, foram os formadores do Curso. No final do mesmo, o Paulo Ferreira falou comigo sobre a minha disponibilidade de ir para Lisboa, na altura para o workshop dos ‘Morangos com Açúcar’. Fui, acabei por ser seleccionado pela TVI numa fase posterior e começou aí a minha caminhada. Foi tudo muito rápido. Só percebi onde estava quando comecei a gravar.

Z: O Tozé era uma personagem cómica. Foi um registo difícil de preparar?
PM: No início foi complicado, mas foi um registo muito desafiante e aprendi muito. Apoiei-me no meu colega, com quem fiz a “dupla”, e foi fundamental para a evolução da personagem, juntamente com a direção de atores e do projeto. Quando estávamos no workshop que antecede as gravações, tivemos uma noção de quais seriam as personagens e de certa forma tivemos essa preparação desde do início da formação, para que pudéssemos representá-la o melhor possível. Tínhamos, quase todos, pouca ou quase nenhuma experiência.

Z: A maioria dos atores que integrava a série era estreante. Que ajuda tinham para construir as personagens?
PM: Fundamentalmente a ajuda da coordenação e da direção de atores da série.

Z: A sua temporada foi uma das últimas de ‘Morangos com Açúcar’. Como foi para si ver esta série chegar ao fim?
PM: Acho que o sentimento foi geral. Senti-me um pouco nostálgico. A série tornou-se mais do que um trabalho. Passávamos tanto tempo a gravar que durante o período de gravações aquelas pessoas com quem trabalhávamos passaram a ser a nossa família. Foi um local onde se fizeram amizades para a vida. Ainda hoje falo com colegas com quem contracenei. O sucesso que a série teve foi imenso. Por isso, foi triste ver acabar a série que mais talentos lançou na televisão portuguesa. Mas tudo tem um fim e quem sabe não voltará um dia.

Z: Integrou ainda o elenco de ‘Morangos com Açúcar – O Filme’. Como correu esta estreia no grande ecrã?
PM: Correu muito bem. O filme foi um sucesso. Gravámos num local lindíssimo e deu para recordar o “Tozé”, rever amigos e lembrar parte da equipa que se manteve na sua maioria a mesma. Foi também a minha estreia em cinema.

Z: Quais foram as principais diferenças entre gravar o filme e a série?
PM: Foram bastantes. Primeiro, o filme foi gravado 4 anos depois da série ter acabado. Houve evolução das pessoas, quer pessoal quer profissional. Depois, o elenco era composto por atores de quase todas as séries, o que ajudou ao enriquecimento do filme. E por fim, é cinema. O que quer dizer que é tudo muito mais lento e mais cuidado ao passo que em televisão, o ritmo é acelerado. Pode dizer-se que, este filme foi um espelho de todas as séries e que o resultado final foi a conjugação do sucesso ‘Morangos com Açúcar’ ao longo de 9 anos, num filme. E resultou pelo sucesso que teve.

Z: Depois de terminar a sua participação na série ingressou na novela ‘Espírito Indomável’. Quem era o seu Cristiano?
PM: O “Cris” era um rapaz bom, com valores, que enfrentou a dor da perda dos seus pais muito novo, tendo que tomar conta dos irmãos que eram a sua razão de viver. Viveu um grande amor com a ” Beta” (Marta Andrino) e o seu principal objetivo era proteger os seus irmãos de toda a gente, colocando muitas vezes a sua vida em risco para os proteger. Foi um desafio e o facto de ser diferente do “Tozé” contribuiu para o meu crescimento enquanto profissional.

Z: O horário nobre é mais desafiante?
PM: Não é mais nem menos desafiante. É diferente. Há mais exigência, é visto por outras pessoas. Existe um conjunto de fatores, mas no que diz respeito ao trabalho em si é igual fazer uma novela às 21h30 ou às 19 horas.

Z: Sente que há espaço suficiente em Portugal para tantos atores?
PM: Muito sinceramente, acho que tudo depende da produção. É lógico que, se em vez de existirem três novelas passarem a existir duas ou uma, é complicado colocar os atores todos nesse projeto. Agora se estendermos a questão para o Teatro ou Cinema percebemos que existe défice de produção e aí é complicado no que diz respeito ao trabalho dos atores. Acho que estamos numa fase cíclica, numa fase de mudança em todos os canais. O mercado está sempre em movimento e os atores têm que se adaptar a isso. É complicado, mas temos que ser realistas e continuar a lutar diariamente pelos nossos objetivos. Acredito que iremos ter mais produção e que as coisas vão melhorar.

Z: Já sabe qual será o seu próximo trabalho para TV?
PM: Estou a aguardar novos projetos.

Z: Perguntas Rápidas:
Maior Vício… não tenho nenhum especial. Ir ao ginásio (vício saudável).
Livro/Filme/Música/Série Favoritos… Livro, ‘O Perfume’; Filmes e séries tenho vários; Músicas também tenho várias, mas gosto muito do Passenger – ‘Let Her Go’ e John Legend – ‘All of Me’.
Na TV não dispenso… sobretudo a novela que estiver a fazer.
A pessoa que mais admiro é… a dona do meu coração.
Não vivo sem… o que tenho e sem os meus sonhos.
Não saio de casa sem… as chaves de casa (esqueço-me muitas vezes delas).
Um dia corre bem quando… consigo fazer o meu trabalho com sucesso e fico com o sentimento de dever cumprido.

Z: Pergunta Final: A sua vida dava uma novela? Porquê?
PM: Só se fosse pelas experiências que tenho ou pelo pouco que já vivi. Tenho uma vida perfeitamente normal e acho que não daria uma boa novela. Ainda tenho muito para caminhar e crescer. O que faz uma boa ou má novela é o conteúdo que tem para apresentar e a criatividade das histórias. Tenho uma vida normal, com umas coisas que dariam uma história é verdade, mas muita pequena. Daqui a dez anos talvez…

Entrevista de Ricardo Neto
Revisão de Inês Silva

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