[Raio Z] Entrevista a Tiago Goés Ferreira: “A televisão é uma área que exige muito de nós.”


Natural da ilha da Madeira, Tiago Goés Ferreira é um dos novos talentos da RTP1. Repórter na “Praça da Alegria” e no programa “Portugal no Coração”, Tiago conta-nos como é estar na estação pública, como foi a experiência no CC Casting e fala sobre os seus objetivos.
Um jovem em ascensão que revela que chegou “até aqui com muito trabalho”.

Conheça um pouco melhor Tiago Góes Ferreira, que se submete hoje ao Raio Z.

Zapping: Participou na edição passada do “CC Casting”, agora a SIC Radical está a promover uma nova temporada. Voltava a concorrer?
Tiago Goés Ferreira: Neste momento não. Estou bem onde estou. Caso contrário, sim! O C.C. é uma ótima escola. E é um formato que continua apostar muito na irreverencia e na liberdade dos apresentadores. Duas qualidades que aprecio muito!

Z: Como foram aqueles primeiros minutos em direto na bancada do “Curto Circuito”?
TGF: Emocionantes! E ao mesmo tempo stressantes. Emocionantes, porque era o C.C.! Por onde passou o Unas, o Nogueira, o Manzarra… E stressantes, porque sabia que era importante começar bem. Mas até foi fácil, porque era um grupo fantástico. E nos castings, os outros concorrentes são muito importantes, porque se forem bons (e era o caso), puxam por nós!

Z: Trabalha atualmente como repórter nos programas de daytime da RTP, que têm um público completamente diferente do “Curto Circuito”. Como se adaptou aos diferentes públicos?
TGF: Eu, na Madeira, já tinha realizado algumas reportagens para a “Praça da Alegria” e para o “Portugal no Coração”. Mas sim, são públicos diferentes e com linguagens distintas. Contudo, acho que têm pontos em comum. E, nos meus trabalhos, procuro explorar um pouco dos dois “mundos”. Passo a explicar… Num programa como o C.C. também é importante alguma sobriedade na condução das entrevistas. E na “Praça” e no “PnC” também importa acrescentar algum humor e descontração, para descodificar alguns conteúdos, ou para despertar a atenção do público. Ambas as linguagens servem os formatos. Só que em doses diferentes!

Z: Que tipo de “bagagem” as reportagens da “Praça da Alegria” e do “Portugal no Coração” lhe dão enquanto apresentador?
TGF: Imensa! Para já, trabalho com profissionais muito experientes. Com 20 e 30 anos de televisão. E que me têm ensinado muito no que toca à “relação” com a câmara (postura, movimentos, enquadramentos…). Para além disso, muitas vezes trabalhamos sem rede. Somos nós que temos que assegurar e conduzir o direto, apesar dos imprevistos ou de qualquer dificuldade que possa aparecer. Sinceramente, acho que a reportagem é uma das melhores escolas. E são vários os apresentadores que passaram por essa escola: Tânia Ribas de Oliveira, Catarina Furtado, são apenas dois, dos muitos nomes! Duas grandes profissionais!

Z: Sente que ainda há espaço para outras caras na apresentação dos vários programas de entretenimento?
TGF: Há sempre espaço. E temos visto novos rostos na grelha da RTP. E sinto que a RTP está a apostar na juventude. No entanto, acho que essa aposta deve ser sempre intercalada com outros profissionais mais experientes. Só assim é possível crescer. O caminho, na minha opinião, deve ser esse: juventude e irreverência misturadas com experiência e sabedoria! É uma boa receita!

Z: É frequente ouvirmos dizer que, hoje em dia, só se entra na televisão “por cunhas”. Como chegou à RTP 1?
TGF: Sem cunhas e com muito trabalho! E continuo a acreditar que com trabalho chegamos lá. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a televisão é uma área que exige muito de nós. São horas e horas de preparação, gravação e pós-produção. Entrei, curiosamente, para a área da produção. Escrevi um programa de televisão, de seu nome “Irreverência” (ainda hoje está no ar) e apresentei-o à RTP Madeira. Foi aprovado e, antes de ir para o ar, perguntaram se eu, para além da produção, também queria acumular a apresentação. Aceitei e assim tudo começou. Primeiro na RTP Madeira e, mais tarde, na RTP! E aqui, entre nós, as pessoas até podem ter muitas cunhas, mas sem trabalho ou qualidade, nunca vão muito longe!

Z: Como encarou a transferência do João Baião para a SIC?
TGF: O João é um grande profissional e um grande ser humano! Foi uma perda para a RTP! O João personifica o que deve ser um programa de entretenimento num daytime. É alegre, animado, inteligente, perspicaz, dedicado, humano. Enfim, podia passar o resto desta entrevista a adjetivar o João.

Z: Um dia poderemos ver o Tiago à frente da “Praça da Alegria” ou do “Portugal no Coração”?
TGF: Gostava… Mas um passo de cada vez! Há um tempo para tudo e acredito que, um dia, a minha oportunidade vai chegar. Até lá, é continuar a aprender. Sou um privilegiado porque trabalho com grandes profissionais da televisão portuguesa!

Z: Tanto o formato da manhã como o da tarde ficam várias vezes atrás dos programas da SIC e da TVI. As audiências realmente contam?
TGF: Contam, mas não são, nem devem ser, o mais importante. A RTP completa 57 anos de serviço público de televisão. E o serviço público exige conteúdos que, por vezes, não agradam às grandes massas, mas que devem ser destacados. A RTP é uma televisão que chega a todos os públicos, independentemente das audiências. O desafio é sempre encontrar um formato que combine as duas vertentes: serviço público com muita audiência.

Z: Se pudesse fazer um formato à sua medida como seria?
TGF: Não posso dizer! E se alguém copia? Um programa como o da Ellen Degeneres. Descontraído, divertido, surpreendente e, ao mesmo tempo, atual e pertinente! Aquele programa que, diariamente, provocasse a seguinte questão em casa: O que é que aqueles “malucos” vão fazer hoje?

Z: Perguntas Rápidas:
Maior Vício… Futebol e filmes
Livro/Filme/Música/Série Favoritos… Livro: Até lá Abaixo, Tiago Carrasco. Recomendo / Filme é dificil! Escolho, por uma questão de atualidade, o “Lobo de Wall Street” / Música tenho tantas… Pode ser Amor Electro – “Rosa Sangue” / Série: “Breaking Bad”
Na TV não dispenso… O “Bom dia Portugal”, “5 Para A Meia Noite”, “Filhos do Rock”, um bom filme, a Champion!
A pessoa que mais admiro é… A minha mãe!
Não vivo sem… A minha namorada! (com esta acabo de renovar o contrato)
Não saio de casa sem… O telemóvel… É um vicio, eu sei!
Um dia corre bem quando… Consigo fazer tudo e mais alguma coisa!

Z: Pergunta Final:
A sua vida dava uma novela? Porquê?
TGF: Não dava. Outras vidas dariam uma novela bem mais interessante que a minha. Talvez uma série… E moral da história? Mais vale arriscar, sonhar e partir, do que ficar e, mais tarde, chorar por ver o sonho fugir. Eh lá, estou poético hoje! Que bela maneira de terminar uma entrevista…

Entrevista de Ricardo Neto
Revisão de Margarida Costa

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