[Reportagem] De Manuel Luís Goucha… até Conceição Lino

Esta reentre da televisão para a época de Outono-Inverno, nas generalistas, estão a trazer algumas mudanças no day-time. Nas próximas linhas o Zapping vai mostrar como se conta o day-time português ao longo dos anos.

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A Alegria da Praça
Ao analisar a programação dos diferentes canais generalistas percebemos a semelhança entre eles. Este acontecimento deve-se ao facto de tentarem conquistar um mesmo público, a mesma audiência e tudo isto culmina numa uniformização do panorama audiovisual generalista. Os telespectadores têm, para o especialista de comunicação Nélson Traquina, no seu livro “O Espetáculo das Notícias” que “os mesmos géneros às mesmas horas leva a uma estandardização da oferta”.

O “Praça da Alegria” foi o primeiro programa produzido de forma a ser contínuo, uma vez que até ao seu aparecimento todos os programas eram fragmentados, apresentando várias rubricas soltas, como nos referiu Luísa Calado, responsável pela ideia do “Praça da Alegria” e pela produção de conteúdos da RTP Porto. E depois do “Praça”, como é carinhosamente tratado, apareceram os seus concorrentes nos canais privados portugueses, alguns anos depois. Contudo ambos se foram adaptando às exigências do público e da actualidade.

Mas como nasceu o primeiro?O “Praça da Alegria” nasceu idealizado por Luísa Calado que, como a própria afirma ao Diário de Notícias “Sempre gostei muito de praças  e quando vou ao estrangeiro adoro sentar-me numa esplanada de uma praça ao visionar um programa na televisão italiana que se passava numa praça, porque é um ponto de encontro, onde se vê de tudo, desde a malta mais nova aos mais velhos. Há música, há teatro de rua, há animação, há vida…”. A produtora diz que, naquele tempo, não havia televisão por cabo, apenas satélite, e a produtora via muita televisão internacional. “Um certo dia, vi um concurso italiano feito numa praça. E aquilo deu-me uma ideia.”, acrescenta. Foi ter com Manuel Luís Goucha, apresentou-lhe a ideia de uma praça ser um sítio onde todos se encontram, desde o agricultor até ao médico. “E é isso que eu quero, mas tem de ser uma coisa muito alegre”, comentava Luísa Calado ao Diário de Notícias.

O nome foi uma ideia de Manuel Luís Goucha e, na primeira emissão, apresentada pelo próprio, estiveram presentes o cantor Iran Costa, Silvie Rocha e Nuno Homem de Sá, ambos actores.
Castro Ribeiro, na altura subdirector de programas da RTP, disse ao Diário de Notícias que o “Praça da Alegria” foi “uma ruptura com o que era habitual fazer durante a manhã na televisão portuguesa.” Segundo o subdirector, os programas de início dos ano 90 eram programas feitos por fragmentos, com um alinhamento que era feito através de rubricas. E embora o “Praça da Alegria” tenha começado assim, depois tornou-se “homogéneo e transversal”, como remata Carlos Ribeiro.

O “Praça da Alegria” foi apresentado primeiro por Manuel Luís Goucha e Anabela Mota Pinheiro, depois apenas pelo actual companheiro de Cristina Ferreira, e voltando às duplas, Sónia Araújo, primeiro com Goucha e, até ao final do programa, desde o Porto, com Jorge Gabriel fizeram as delicias dos telespectadores. Mas se o primeiro talk-show vespertino apareceu em 1995, no canal público português, as televisões privadas, SIC e TVI, só em 1998 apostaram neste tipo de programas. A SIC inicia a emissão do programa “Sic 11 Horas” e “Fátima Lopes”, e a TVI lança “O Segredo das Estrelas”. Segundo a Comunicação apresentada no 4º encontro Lusófono de Ciências da Comunicação, em São Vicente, “em 1998, altura em que se criou uma espécie de talk-show, onde se colocou uma apresentadora que, em período nocturno, conseguira fidelizar audiências em torno dos reality-shows. O seu nome deu também o título ao programa :Fátima Lopes.” E um ano mais tarde, “A SIC, em 1999, criou o SIC 11 Horas…”

SIC…SIC…SIC… SIC 1O horas, já está no ar…
Quem não se lembra deste pequeno trecho do talk-show líder da SIC, primeiro “SIC 10 Horas” e, posteriormente, “SIC 11 Horas”. Foi este o primeiro talk-show matinal português da SIC, apresentado por Júlia Pinheiro, e posteriormente por Fátima Lopes. Em 2005, o SIC 10 Horas deu lugar a um novo programa de Fátima Lopes, “Fátima”.

Com início a 22 de Fevereiro de 1999, o então “SIC 11 horas, manteve-se no ar há mais de quatro anos, tendo assistido a algumas interrupções pontuais e a uma mudança de nome – a 26 de Abril de 1999 surge com o nome “SIC 10 Horas”. O Programa terminou a 23 de Novembro de 2005, quando a estação de Carnaxide. Este foi, durante mais de 6 anos, o grande programa das manhãs da televisão portuguesa. Sem uma concorrência forte, o programa “SIC 10 Horas” era líder em audiências mesmo depois da estreia de Você na TV!, na TVI.
O talk-show  que tinha a duração de 180 minutos, era composto por grandes momentos de humor, música e conversa intimístas que davam a conhecer grandes histórias de vida. A melhor audiência média, de todos os anos de emissões, foi conseguida a 21 de dezembro de 2000 quando chegou aos 6,4%, ou seja, mais de 500 mil pessoas que pararam para assistir aos programas das manhãs da SIC. O melhor share foi alcançado no dia 12 de agosto de 2002 com 57,7%.

Nunca é Tarde para mudar….
De tarde, o “Ás Duas Por Três” iniciou-se à 7 de Janeiro de 2002, e só um ano e um mês depois a RTP lançou “Portugal no Coração”, o grande rival do talk-show da SIC. Na TVI os formatos que passaram pelo horário da tarde foram vários. Em 2002, Carlos Ribeiro apresentava “A Vida É Bela”. Mas outros formatos passaram pelo quarto canal da televisão portuguesa: “A Hora da Gi” e “Vidas Reais” nunca conseguiram convencer os telespectadores. E se “Vidas Reais” prometia “acompanhar o desenrolar de casos insólitos da vida real e ser confrontado com as injustiças que estes acontecimentos provocam.”, já o “A Hora da Gi” não foi mais do que uma exigência de Gisela Serrano para participar no Big Brother Famosos.

Depois de todas estas experiências a TVI apostou forte. Júlia Pinheiro, a partir de Abril de 2007, estreava-se no “As Tardes da Júlia”. Mas antes disso a SIC transformou o “Ás Duas Por Três”, com a entrada de Francisco Penim, em “Contacto”, no longínquo ano de 2005. Considerado por muitos como um dos melhores talk-shows das tardes, Nuno Graciano e Rita Ferro Rodrigues conseguiram muitos bons momentos de televisão, o que lhes valeu a liderança destacava durante muito tempo. E se no canal público o “Portugal no Coração” fazia o seu caminho, Júlia Pinheiro conseguia destronar o talk-show de Carnaxide. Mas não foi só este programa que fez tremer a terra para os lados do primeiro canal privado português. Os alarmes tocavam alto com a dupla Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira a se aproximarem com o “Você na TV”.

Uma Vida Nova para Fátima Lopes
Enquanto a RTP continuava com “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração”, na SIC uma autêntica revolução se aproximava. Fátima Lopes passou para as tardes do canal. Foi-lhe dado um programa conforme ela quis. Ao Diário de Notícias a apresentadora afirmava: “Sobre Vida Nova, diz que terá “bastante flexibilidade”. ” Queremos habituar os espectadores sempre a coisas diferentes. Que cada programa seja um programa”, considera Fátima Lopes. No horário das 10.00 às 13.00, que antes ocupava, a SIC aposta em Rita Ferro Rodrigues e Francisco Menezes. O programa chama-se Companhia das Manhãs.”
A Vida Nova também se anunciava de manhã, com o fim do “Fátima” e o começo de “Companhia das Manhãs” para combater o novo, e indiscutível líder “Você na TV”. Este, que já tinha substituído os mal sucedidos “Olá Portugal”, o azarado “As Manhãs da Sofia” e “As Manhãs da TVI”.Com a chegada destes novos trunfos, a SIC esperava melhorar a sua audiência, mas foi a RTP1 que viu “Praça da Alegria” competir, e até ganhar alguns dias ao “Você na TV”, e “Portugal no Coração ser um vice-líder confortável.
Este “Vida Nova” só teve 242 episódios pois Fátima Lopes, sem ninguém o prever, mudou-se para a concorrência, TVI. Na mão, Raquel Stradafoi chamada para apresentar o “Vida Nova” desse primeiro dia de ausência da, então estrela da SIC, Fátima Lopes. Mais tarde o “bombeiro de serviço” José Figueiras agarrou o programa, mas nunca se sentiu à vontade num programa feito para mulheres. Com isto “As Tardes da Júlia” caminhavam seguramente na liderança.
Passado algum tempo a SIC contra atacou, indo buscar Júlia Pinheiro para as novas manhãs, primeiro a solo com “Querida Júlia” e, agora com João Paulo Rodrigues, no “Queridas Manhãs”. Antes da mudança da apresentadora, já Conceição Lino tinha sido chamada para apresentar o substituto de “Vida Nova”, nascendo o “Boa Tarde”. Na TVI, Fátima Lopes mudou-se para o lugar de Júlia Pinheiro e o “As Tardes da Júlia” deu lugar ao “A Tarde É Sua”.

Agora, chegámos a Setembro, mês de muitas estreias. Na TVI, equipa que ganha não se mexe e, por isso, Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira mantêm-se nas manhãs, enquanto Fátima Lopes, continua imparável com o seu “A Tarde É Sua”. Na SIC, os telespectadores despediram-se de Conceição Lino, que regressará à informação. No seu lugar, Andreia Rodriges, Luciana Abreu e João Baião estreiam, dia 6 de Outubro “Grandes Tardes”.

Por fim, a RTP, que depois de tantos anos com “Portugal no Coração” e do “Praça da Alegria”, decidiu romper com estes talk-shows, e Hugo Andrade apostou, nas manhãs o “Agora Nós” com Tânia Ribas de Oliveira e José Pedro Vasconcelos, e, nas tardes, o “Há Tarde”, de Herman José e de Vanessa Oliveira.

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