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[Crítica] No dia da final do Festival da Canção 2014, a opinião do terceiro especialista!

FdC-1

No dia em que Portugal elege a canção representante do país na Eurovisão 2014, a opinião do terceiro especialista. Depois de Rafael Lopes e João Leite, a opinião de Tiago Vale.

Tiago Vale

Para grande contentamento dos eurofãs, a estação pública da RTP regressou em 2014 com uma nova edição do Festival da Canção, na sequência do seu 50º aniversário, que marca a representação honrosa de António Calvário e o tema “Oração”, em 1964.

Este ano a RTP decidiu apresentar o programa com um novo formato: uma semifinal (passado dia 8/03) e uma Final (próximo dia 15/03). Ambos os espectáculos são realizados no Convento do Beato, em Lisboa. Fiquei bastante agradado com o espaço. O palco com o efeito dos arcos como fundo conferiu um certo charme ao espectáculo. O jogo de luzes esteve igualmente bastante bem. Porém, a falta de acústica dentro do edifício reflectiu-se em graves problemas de som, que prejudicou a actuação de alguns intérpretes.

10 concorrentes pisaram o palco do Festival e apenas metade classificou-se para a grande final: Rui Andrade (“Ao Teu Encontro”), Catarina Pereira (“Mea Culpa”), Zana (“Nas Asas da Sorte”), Raquel Guerra (“Sonhos Roubados”) e Suzy (“Quero Ser Tua”). Apenas um viajará para Copenhaga e representará as cores da bandeira portuguesa no Festival Eurovisão da Canção. Passo à análise das cinco canções finalistas:

    Canção nº 1: “Ao Teu Encontro”
    Intérprete: Rui Andrade
    Música/Letra: Mark Paelink/Rui Andrade
O intérprete tenta pela terceira vez concretizar o seu sonho de representar Portugal na Eurovisão. Este ano traz consigo uma balada ao estilo Disney, com uma letra da sua autoria. O Rui canta o seu tema com um brilho e emoção que já nos habituou, não fosse o artista experiente nestas andanças. O poema flui através de uma voz forte, e uma presença igualmente marcante. Contudo, apesar de todas as qualidades visíveis, acho este tipo de melodias de certa forma démodé e pode tornar-se inclusive aborrecida. A letra não será entendida por grande parte do público europeu, o que é uma pena, pois é o verdadeiro ponto forte desta proposta.

    Canção nº 2: “Mea Culpa”
    Intérprete: Catarina Pereira
    Música/Letra: Andrej Babic/Carlos Coelho
Pela segunda vez, a artista apresenta-se no palco do Festival da Canção com um tema produzido pela parceria de Andrej Babic e Carlos Coelho. Semelhanças claras à “Canta Por Mim” (edição de 2010) de parte, é impossível negar que esta é a proposta ideal para nos representar lá fora. É viva, alegre, e bem ao estilo da Eurovisão! Há, contudo, que ter em conta as consequências de uma coreografia exageradamente elaborada: as limitações no aparelho vocal. Catarina Pereira tem uma voz competente, mas fica rapidamente cansada em virtude dos movimentos que executa, o que poderá ser prejudicial na sua prestação. É preciso ajustar completamente os planos de câmara, de modo a ver-se bem a coreografia. Ainda assim, é a minha favorita entre o leque de finalistas!

    Canção nº 3: “Nas Asas da Sorte”
    Intérprete: Zana
    Música/Letra: Jan Van Dijck/Paulo Abreu Lima
Zana traz a canção mais tradicional entre todas, tem o seu quê de medieval que me agrada bastante. Gosto do instrumental e da energia que transmite. A intérprete é bastante eficiente a cantar, e tem uma voz bastante pujante. Foi das actuações em que houve uma maior coordenação com o coro. Ainda assim, não tenho expectativa que seja um tema que reúna um grande consenso no quadro de preferência.

    Canção nº 4: “Sonhos Roubados”
    Intérprete: Raquel Guerra
    Música/Letra: Nuno Feist/Nuno Marques da Silva
Foi realmente um triste acontecimento este trabalho do Feist com a Raquel Guerra. Todos reconhecemos o talento desta rapariga, é uma artista que eu pessoalmente gosto muito. Contudo, a sua voz não encaixa nada bem neste tema, com aquele tom grave e baixo. A letra mal se percebeu na actuação, e é de certa forma difícil encontrar o refrão, dada a complexidade do poema. Talvez num próximo ano a Raquel tenha um tema que lhe caiba o mérito.

    Canção nº 5: “Quero Ser Tua”
    Intérprete: Suzy
    Música/Letra: Emanuel
Emanuel regressa ao programa depois de Sabrina vencer o Festival em 2007. A canção é claramente a sua cara, embora este seja um pimba, na minha opinião, de fraca qualidade se tivermos em comparação o “Dança Comigo”. A artista tem uma voz frágil e receio que desafine com uma certa facilidade, se tiver que dançar mais. Falta incluir bailarinas na actuação. Muitas coisas têm que ser mudadas para dar uma nova cor a este tema, que pede mais vivacidade e para que a presença da Suzy em palco seja mais apelativa. Contudo, o refrão é bastante orelhudo e trata-se de uma música animada, e seria talvez uma aposta a considerar para nos representar em Copenhaga.

Concluída a crítica às canções finalistas, gostaria de recordar alguns dos temas que ficaram para trás, e que coincidiam com as minhas preferências: “Eu Vou”, do Ivo Lucas, “Emoção”, do Ricardo Afonso e “O Teu Segredo”, da Lara Afonso. O Ivo presenteou os eurofãs com um tema juvenil e orelhudo, composto por João Só.

O Ricardo Afonso tinha, na minha opinião, a melhor voz entre o leque de 10 participações, com uma força invejável, e senti realmente pela sua não apuração. Por fim, a Lara Afonso tinha uma melodia bonita e das melhores presenças em palco. A artista é claramente super carismática e tinha a melhor das ligações com as câmaras.

Boas canções foram eliminadas, mas outras continuam na corrida para representar Portugal na Dinamarca, em Maio. Resta desejar boa sorte a todos os finalistas e que ganhe o melhor!

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