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Conheça as personagens e elenco de “3 Mulheres”, a nova série da RTP1

3 mulheres

“3 mulheres”

“3 Mulheres” estreia na próxima sexta-feira no horário nobre da RTP1. A série conta parte da história do passado recente de Portugal.

Sob o olhar de Natália Correia Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão) e Snu Abecassis, é traçado o retrato de uma época.

Conheça as personagens principais de “3 Mulheres”:

3 Mulheres | Imprensa

Natália Correia (1923 – 1993) | Soraia Chaves

Escritora, poeta e polémica. Nasceu na ilha de São Miguel e deixou os Açores com 11 anos. Destacou-se como uma das mais influentes figuras intelectuais da segunda metade do século.

Possui uma obra literária extensa que inclui poesia, romance, teatro, ensaio e tradução. De espírito libertário Natália é uma personalidade polémica da sociedade portuguesa, que se carateriza por
uma forte intervenção política, com especial atenção para a cultura, o património, a defesa dos direitos humanos e, em especial, os direitos das mulheres. Mas também se carateriza pela ousadia artística. É uma mulher que tem noção da conceção do mundo. Mas na sua vida também existem fantasmas e… amores.

Na década de 50 a sua casa era um autêntico salão literário, aí se reunia uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da oposição política nacional e internacional.

Obras como o Homúnculo e Antologia Erótica e Satírica são sinónimo da sua irreverência. A edição da Antologia foi considerada um escândalo literário e de imediato apreendida pela PIDE, tornando-se matéria de julgamento em Tribunal Plenário.

No início dos anos 70 abre o bar Botequim, um espaço de tertúlia que se tornou referência da noite lisboeta.

3 Mulheres | Imprensa

Maria Armanda Falcão/Vera Lagoa (1917 – 1996) | Maria João Bastos

Jornalista, cronista, locutora e empresária. Filha de um major do exército português e descendente de republicanos, nasceu em Moçambique.

Aos 16 anos chega a Lisboa onde começa a trabalhar como secretária. Em 1957, torna-se conhecida por ser a primeira locutora de continuidade da RTP.

Participa ativamente na luta contra o regime de Salazar participando nas candidaturas da oposição (Humberto Delgado), integrando manifestações de contestação e dando apoio às famílias dos prisioneiros políticos.

Em 1965 inicia no “Diário Popular” a sua crónica “Bisbilhotices de Vera Lagoa” que ganha notoriedade como critica social.

Vera Lagoa luta pelo seu reconhecimento profissional e pela obtenção da Carteira Profissional de Jornalista que lhe era recusada.

Durante o período “Marcelista” torna-se uma notória figura pública, nomeadamente com a organização dos concursos de Miss Portugal.

Após a revolução afirma-se como ativista de direita e torna-se diretora do jornal “O Diabo” ao longo de 15 anos. Quando impedida de editar o seu jornal pelo Conselho da Revolução lança o semanário “O Sol” que é abruptamente interrompido pela deflagração de uma bomba.

Posteriormente, codirige “O País” e colabora com “O Tempo”. Durante a sua carreira jornalística é várias vezes levada a tribunal, acusada de injúrias e difamação.

Um dos seus importantes combates jornalísticos é a denúncia do caso Camarate. Deixa publicado o livro Histórias de Revolucionários Que Eu Conheci.

3 Mulheres | Imprensa

Snu Abecassis (1940 – 1980) | Victoria Guerra

Considerada uma princesa nórdica. Nasceu na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial e viveu na Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos e Portugal.

Aos 16 anos apaixona-se por Vasco Abecassis, um português com família de origem judaica, enquanto estudavam em Inglaterra.

Casam-se na Suécia e têm três filhos: Mikaela, Ricardo e Rebecca. Nos anos 60 mudam-se para Portugal. Preocupada com o setor editorial e a imprensa de língua portuguesa, Snu ambiciona contribuir para a difusão da cultura no país, que considerava atrasado, procurando abrir uma janela para o mundo.

Em 1965 funda a editora Dom Quixote, reconhecida por publicar livros considerados de esquerda e de ideias contrárias às do regime do Estado Novo.

As suas publicações confrontam-na com a Censura e a PIDE. Discreta, voluntariosa e determinada, Snu contorna as barreiras que se criam perante a sua atividade editorial.

Snu era elegante, discreta, misteriosa, obstinada, persistente, reservada e fugidia. Era uma mulher diferente das portuguesas.

José Manuel Tengarrinha (1932 – 2018) | Afonso Lagarto

Resistente antifascista e intelectual. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas, José Manuel Tengarrinha foi escritor, professor, jornalista e historiador.

Nos anos 50 inicia as investigações sobre a história oitocentista portuguesa e torna-se jornalista profissional a partir de 1953.

Passa pelo jornal “República”, revistas “Vórtice”, “Seara Nova” e “Diário Ilustrado” onde é chefe de redação até 1962.

Membro do MUD Juvenil enquanto estudante, José Manuel permanece ligado à oposição antifascista e participa na campanha presidencial de Humberto Delgado (1958) onde conhece a sua futura mulher Maria Armanda Falcão.

A sua irmã, Margarida Tengarrinha, é do PCP e vive na clandestinidade como companheira do pintor Dias Coelho.

Em dezembro de 1961, na sequência de uma campanha de opressão que vitima Dias Coelho, é preso aparatosamente na redação do jornal pela polícia política.

Na PIDE sofre a tortura do sono durante 8 dias consecutivos e fica aprisionado durante dois meses. Proibido de exercer a profissão de jornalista e de dar aulas, José Manuel trabalha em traduções e como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian inicia o trabalho de investigação sobre a história do jornalismo.

Como historiador torna-se clássica e pioneira a sua obra “História da Imprensa Periódica Portuguesa” editada em 1965.

Separa-se de Maria Armanda Falcão no momento em que ela adquire estatuto como cronista social. Em 1973 participa no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro e volta a ser preso pela PIDE.

Outras personagens:

Alfredo Luís Machado (1904 – 1989) | Fernando Luís

Empresário e patrocinador de artistas. Oriundo de famílias abastadas da Guarda, Alfredo Machado torna-se um empresário com atividade em Lisboa e a 13 de outubro de 1944 abre o Hotel do Império, projetado por Cassiano Branco.

Como proprietário e gerente é responsável pela dinâmica comercial deste hotel, frequentado pela alta sociedade, diplomatas, políticos e intelectuais.

O hotel foi não só “palco de acontecimentos de carácter social e mundano, como de conspirações, excentricidades e escândalos”.

Personalidades como Manuel Fontes Pereira de Melo, Tomás Ribas, Francisco de Sousa Tavares, Sofia de Mello Breyner, Conde da Covilhã, Conde da Lousã, Patiño, frequentavam o hotel.

Quando Alfredo conhece Natália é viúvo e bem mais velho do que ela. São notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo Luís Machado.

A 31 de julho de 1953 casam-se e passam a residir a rua Rodrigues Sampaio na proximidade do hotel. Ainda na década de 50 foi cenário de conspirações políticas, com “reuniões secretas com o General Humberto Delgado, onde estiveram presentes Vera Lagoa e Natália Correia e muitos outros apoiantes, nos meses que antecederam as eleições de 1958.

O Hotel do Império era uma “extensão” da casa de Natália Correia: as célebres ceias que aí eram servidas vinham do Império do outro lado da rua e o ambiente intelectual, político e mesmo boémio que se viveu no hotel deveu-se, em parte, à assídua presença de Natália Correia e dos seus amigos.

Vasco Abecassis (1939) | João Jesus

Empresário, homem de família Filho primogénito de uma família abastada portuguesa, estudou em Inglaterra, onde conheceu Ebba Merete (Snu) Seidenfaden.

Tornaram-se inseparáveis. Ele seguiu os estudos para Harvard e ela rumou até Boston. Aos 20 anos casa-se com Snu na Suécia.

Vasco assume funções no grupo empresarial da família “Sociedade Farmacêutica Abecassis SARL”. Após uma curta permanência nos Estados Unidos, onde nasce a primeira filha Mikaela, Snu e Vasco Abecassis optam por viver em Lisboa a partir de 1962.

Com o regresso Vasco toma funções de maior responsabilidade no grupo empresarial da família, procurando sempre acompanhar a adaptação de sua mulher a Portugal.

Após o nascimento do segundo filho, auxilia Snu no projeto de criação de uma nova editora. A Publicações Dom Quixote é um projeto ambicioso e dispendioso, mas Vasco corrobora e apoia ativamente a sua implantação.

No momento da sua fundação, a 1 de abril de 1965, Vasco já assumiu que irá ser incorporado para cumprir o serviço militar na Guiné.

Em 1971 nasce Rebecca, a última filha de Snu. Com o regresso de Vasco ao continente o casal vai ter de acomodar as suas diferenças, mantendo uma amizade cúmplice que irá perdurar até após o seu divórcio.

Luís Sttau Monteiro (1926 – 1993) | Pedro Lamares

Romancista, dramaturgo e “bon vivant”. Um homem que seguiu o mote “a única coisa sagrada era ser livre como o vento”. Amigo e confidente de Maria Armanda Falcão, era um habitual frequentador da sua casa.

Formou-se em Direito na Universidade de Lisboa e trabalhou como advogado por um curto período de tempo. Posteriormente, regressou a Londres, onde trabalhou como jornalista.

Foi aí que tomou contato com a literatura inglesa contemporânea e decidiu tornar- se escritor. Quando voltou a Portugal, escreveu para a revista Almanaque (sob o nome de “Manuel Pedrosa”) e A
Mosca, um suplemento do Diário de Lisboa.

Em 1960 publicou seu primeiro romance Um Homem não Chora. E, no ano seguinte, recebeu o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores pela sua peça Felizmente Há Luar!, embora não pudesse ser apresentada nos teatros devido à censura.

Em 1962 foi preso por suspeita de participação na Revolta de Beja, mas foi libertado. Partiu novamente para a Inglaterra até 1967. Após o seu regresso, foi novamente preso pela PIDE, alegando que ele tinha escrito peças teatrais satirizando Salazar e a Guerra Colonial.

Fernando Ribeiro de Mello (1941 – 1992) | Isac Graça

Editor, diseur e agente provocador. Filho uma família tradicional do Porto. De porte franzino, baixo e sempre impecavelmente vestido, o olhar intenso, bigodes revirados à Dalí e uma
pera.

Ribeiro de Mello destacou-se também por ter uma personalidade excêntrica, irreverente e donjuanesca. Em 1964 concretizou um conturbado recital de poesia na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em que o os poemas declamados eram pontuados de acordo com a cronometragem dos aplausos do público.

Amigo de Natália Correia, Mário Cesariny, Luiz Pacheco e outros intelectuais portugueses, foi o enérgico fundador das Edições Afrodite em 1965.

Publica obras polémicas e proibidas, com campanhas publicitárias provocadoras, que o levam a processos judiciais por ultraje aos bons costumes, como: o Kâma-Sûtra – Manual do Erotismo Hindu (1965), a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966) de Natália Correia e A Filosofia na Alcova (1966) do Marquês de Sade.

Dennis Redmond (1942) | Simão Cayatte

Jornalista, determinado e simpático. Jornalista americano, correspondente da Associated Press destacado para cobertura de Portugal durante a guerra colonial.

Amigo pessoal de Snu Abecassis. Estabelece-se em Lisboa em janeiro de 1965 num momento em que a perseguição aos intelectuais e jornalistas em Portugal prossegue.

No âmbito de um trabalho sobre a resistência estudantil, no tribunal da Boa Hora, contactando com advogados que defendem os oposicionistas como: Salgado Zenha, Mário Soares e Abranches Ferrão, Dennis interessa-se pelo caso dos estudantes e acaba por reportar aprisionamentos e tortura dos estudantes, bem como um “falso suicídio” de um estudante no quartel general da PIDE.

Os seus artigos sobre Portugal foram publicados pelo The New York Times, Times e Le Monde provocando fortes danos na imagem internacional do regime.

Em março de 1966 é chamado para interrogatório, com o redator-chefe da delegação da AFP, Pinto Basto. Os dois são acusados de terem publicado “informações falsas e tendenciosas”.

Dennis Redmond, com o apoio do embaixador Norte-Americano que combinou tudo com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Franco Nogueira, é interrogado e recebe ordem de expulsão do país como persona non grata, ordem que acabou por não ser executada.

No final de 1967 foi trabalhar em Roma e posteriormente para o Brasil, onde se vivia um regime ditatorial.

Elenco completo de “3 Mulheres”:

Adelino Tavares (Aquiles)
Afonso Lagarto (José Manuel Tengarrinha)
Alda Gomes (Carlota Perestelo)
Alexandre Ferreira (GNR)
Álvaro Correia (Natário)
Américo Silva (Santana)
Ana Lamas (Jovem secretária D. Quixote)
Ana Mafalda (Carmo)
Ana Padrão (Lucciene Abecassis)
António Simão (Coronel)
Binet Undonque (Duxa)
Carlos Sebastião (Alfarrabista)
Carlos Vieira (Agente MP)
Carolina Amaral (Joana)
Catarina Salgueiro (Empregada Natália)
Cristóvão Campos (Tareco)
Cucha Carvalheiro (Herculana)
Diogo Branco (Roberto)
Dimitri Bogomolov (Ievtuchenko)
Elmano Sancho (Mário Cesariny)
Estêvão Antunes (Livreiro)
Fernando Luís (Alfredo)
Fernando Santos (Deborah Kristall)
Fernando Rodrigues (Heitor Sobral)
Filipa Areosa (Madalena)
Filipe Crawford (Tipógrafo)
Francisco Arraiol (Temente)
Guilherme Gomes (Jornalista)
Heidi Berger (Suzla Abecassis)
Henrique de Carvalho (Recruta Faneca)
Henrique de Mello (Santiago Perestelo)
Hugo Bettencourt (Lima de Freitas)
Hugo Franco (Macário (PIDE))
Hugo Olim (Dórdio)
Inês Costa (Miss)
Inês Sá Frias (Julieta)
Iris Cayatte (Margarida Tengarrinha)
Isac Graça (Ribeiro de Mello)
Jaime Freitas (Esteves)
Joana Brandão (Maria Eugénia Gomes)
João Arrais (Soldado João)
João Cabral (Nuno Perestelo)
João Cachola (Nicholas)
João Craveiro (Varela Gomes)
João Grosso (César Moreira Baptista)
João Jesus (Vasco Abecassis)
João Lagarto (Isaltino)
João Pedro Dantas (Armando Fúzia)
João Reixa (Rogério (PIDE))
João Vaz (Cliente Publicidade)
Jorge Vaz Gomes (Ary dos Santos)
José Eduardo (Dr. Fausto)
Katrin Kaasa (Helle)
Lourenço Conde (Paulocas)
Lucinda Loureiro (Lurdes)
Luís Mascarenhas (Dr. Carvalhal)
Mafalda Lencastre (Helena Ferreira)
Manuel Wiborg (António Neves Pedro)
Maria João Bastos (Maria Armanda Falcão)
Mário Bomba (Repórter TV)
Mário Coelho (Sá Carneiro)
Marlene Velez (Miss)
Matilde Penedo (Mikaela -5 anos)
Miguel Loureiro (Dr. Morais)
Mónica Mota (Celeste)
Nídia Roque (Maria)
Nuno Casanovas (António)
Nuno Elias (GNR)
Nuno Nunes (Salgado Zenha)
Nuno Pardal (Pinto Balsemão)
Paulo Pinto (Palma Carlos)
Pedro Carranca (Carlos Araújo)
Pedro Diogo (Guarda Prisional)
Pedro Inês (Luiz Pacheco)
Pedro Lamares (Sttau Monteiro)
Pedro Sousa Loureiro (José Dias Coelho)
Rafael Gomes (José António Correia)
Raquel Oliveira (Namorada Armando)
Rita Brutt (Olivia)
Rita Cabaço (Belinha)
Rodrigo Tomás (Philip Abecassis)
Rui Morisson (Juiz)
Rui Neto (Melo e Castro)
Rui Porto Nunes (Homem do fato escuro)
Sandra Santos (Isabel Balsemão)
Sara Barros Leitão (Isabel de Castro)
Sara Carinhas (Bibliotecária)
Sérgio Coragem (Bruno da Ponte)
Silvia Barbeiro (Mulher Isaltino)
Sílvio Vieira (Gabriel)
Simão Cayatte (Dennis Redmond)
Sofia Correia (Eduarda Pinto)
Soraia Chaves (Natália Correia)
Tadeu Faustino (David)
Tiago Fernandes (Cardoso Pires)
Tomás Silva Sousa (Ricardo)
Valéria Ferreira (Mikaela)
Vicente Wallenstein (Mariano)
Victor Gonçalves (Frederico)
Victoria Guerra (Snu Abecassis)