[Raio Z] Entrevista a Duarte Gomes, de ‘O Beijo do Escorpião’ e ‘Os Nossos Dias’


No ar em ‘Os Nossos Dias’ e ‘O Beijo do Escorpião’, Duarte Gomes começou a sua carreira na RTP2 onde apresentou o programa ‘As Pistas da Blue’ e mais tarde o ‘ZIG ZAG’. Num dos pontos mais altos da sua carreira, Duarte fala-nos da sua carreira e da sua experiência a dar vida ao homossexual Miguel na novela de horário nobre da TVI.

É Duarte Gomes em mais um Raio Z!

Z: Está atualmente no ar em três projetos: ‘Os Nossos Dias’, ‘O Beijo do Escorpião’ e ‘Bairro’. Tem receio que a sua imagem fique desgastada?
Duarte Gomes:
 Pelo contrário, sinto que é um consolidar do meu trabalho. São três projectos diferentes, feitos para públicos-alvo diferentes, com horários diferentes, ou seja, só me vê três vezes quem tiver “coragem” de me “aturar” mais que uma vez por dia (risos). Sinto que nestes projectos é possível verem-me em três registos completamente distintos, que mostram algumas das minhas facetas enquanto intérprete, onde em todos eles encontrei um desafio que espero ter superado com sucesso.

Z: Dá vida a Miguel na novela ‘O Beijo do Escorpião’. Como define a sua personagem?
DG:
 O Miguel é o típico bon vivant. Quer aproveitar tudo de bom que a vida tem para lhe dar, desde que isso não lhe traga problemas, não quer compromissos seja de que tipo for (mulheres, contas, amigos, etc), quer apenas gozar “o momento” da melhor forma. Vive a vida com um sorriso e uma despreocupação muito acima da maioria das pessoas. É muito mulherengo e homofóbico. 

Z: O Miguel começou a novela como homofóbico no entanto acabou por se envolver com Paulo (Pedro Carvalho). Como será processada esta mudança de atitude?
DG:
 Verdade. No final de uma grande noite de copos o Miguel e o Paulo, muito alcoolizados e já quase a “apagar” acabaram por se envolver. No dia a seguir o Miguel não se recorda de nada, enquanto o Paulo omite a verdade quando é confrontado com a mesma. Quando o Miguel descobrir finalmente o que se passou irá reagir da pior maneira e irá combater muitos medos. Vai ser uma fase muito interessante da minha personagem.

Z: Gravar cenas íntimas com um homem é mais difícil para si?
DG:
 Todas as cenas íntimas são consideradas difíceis, seja com mulheres ou com homens, porque para todos os efeitos estamos invadir o espaço do outro. É importante que existam conversas entre os intervenientes para darmos a conhecer o nosso espaço e, ao mesmo tempo, conhecer o espaço do outro.

Z: Em ‘Os Nossos Dias’ dá vida a um rapaz que também é homossexual, sente que a ficção está a tentar quebrar preconceitos e, por isso, está a incluir cada vez mais este tema?
DG:
 Para que este e outros temas deixem de ser temas tabu, e para que deixem de ter tanto preconceito à volta deles, deve-se falar sobre eles e torna-los uma realidade natural, por isso sim, sinto que é um dos temas que deve ser incluído na nossa ficção. 

Z: Há algo em comum entre o David de ‘Os Nossos Dias’ e o Miguel de ‘O Beijo do Escorpião’?
DG:
 Não, são personagens completamente diferentes. A única coisa que têm em comum é uma experiência com uma pessoa do mesmo sexo, mas isso é algo que todas as outras personagens heterossexuais também têm em comum (risos).

Z: Deu vida a Zé Cigano na série ‘Bairro’. Como se preparou para dar vida a este personagem?
DG:
 Esta série foi muito especial. Para além da “normal” construção de personagem, onde cada actor tem o seu método, vivemos durante um mês e pouco experiências incríveis: tivemos aulas de luta cénica, manuseamento de armas, métodos de segurança e disparo de armas de fogo, condução defensiva, métodos de autodefesa, etc. Todas essas aprendizagens juntamente com os ensaios de construção de personagem tornaram as nossas personagens muito mais ricas e reais.

Z: ‘Bairro’ apresenta uma linguagem muito realista e diferente da que estamos habituados na ficção. Sente que faltam mais projetos que abordem a realidade de forma “pura e dura”?
DG:
 Sem dúvida! Se existir todo o tipo de ficção nacional nos nossos canais, o público não irá com certeza procurar tanto os produtos estrangeiros.

Z: Muitos ainda se lembram do Duarte, como o Duarte de ‘As Pistas da Blue’. Como foi fazer parte deste projeto?
DG:
 Foi o meu primeiro projecto em televisão, jamais irei esquece-lo, por todas as dificuldades e sorrisos que me deu. Era uma série americana do canal Nickelodeon muito bem adaptada por parte da RTP, onde aprendi e diverti-me muito, apesar de ser um projecto complicadíssimo por ser uma série gravada 100% com interacção com o chroma.

Z: Apresentou alguns programas na RTP2. Ambiciona voltar a apresentar um formato?
DG:
 Tudo depende do projecto e do sentido que fará para mim, mas não vejo porque não. 

Z: Perguntas Rápidas:
Maior Vício…
 desporto.
Livro/Filme/Música/Série Favoritos… séries: “Bairro”, “ Game of Thrones”, “Breaking Bad”, “Hell On Wheels”…
Na TV não dispenso… “Bairro”, “Os Nossos dias”, “O Beijo do Escorpião”. 
A pessoa que mais admiro é… a minha mãe. 
Não vivo sem… mandar e ouvir umas graças.
Não saio de casa sem… sem as chaves de casa, chamar os bombeiros para resolver a situação fica dispendioso (risos).
Um dia corre bem quando… quando sinto que atingi os objectivos por mim propostos.

Z: Pergunta Final:
A sua vida dava uma novela? Porquê?
DG:
 Não dava, dava um filme de autor incompleto, no máximo (risos).

Entrevista de Ricardo Neto
Revisão de Margarida Costa
Fotografia de Carlos Teixeira

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